Brasil - Rio de Janeiro - Hoje é dia: /


Terça-feira, Janeiro 20, 2004

"De excelentes cantoras, o Brasil e o mundo andam cheios. A mim, não interessa ser uma boa cantora a mais. Quero usar o dom que a mãe natureza me deu para diminuir com ele a angústia de alguém."




22 ANOS SEM ELIS REGINA

Nascida em Porto Alegre e herdeira moderna das cantoras de rádio, em carisma e popularidade, ela marcou a história da música popular brasileira como uma de suas mais importantes intérpretes. Elis destacava-se das outras cantoras de sua geração por sua técnica vocal apuradíssima, que punha a serviço de uma interpretação cheia de arroubos. Aos 11 anos começou a cantar em um concurso mirim no Clube do Guri, programa da Rádio Farroupilha de Porto Alegre.

Seu primeiro contrato profissional veio em 1959, quando se apresentou na Rádio Gaúcha de Porto Alegre no programa de Maurício Sobrinho. Um ano depois, gravou seu primeiro compacto simples, com duas canções pela gravadora Continental: Dá Sorte e Sonhando. Sem abandonar os estudos, continuou a profissão de cantora com o lançamento do seu primeiro LP, Viva a Brotolândia, em 1961, em que flertava com a jovem guarda.

Os títulos e gravações continuaram até 1963, onde acumulou o prêmio de melhor cantora do ano em Porto Alegre e o lançamento do segundo e terceiro LPs, pelas gravadoras Continetal e CBS. Ao final de 1963, resolveu abandonar os estudos.

1964 foi decisivo. Elis Regina, acompanhada do pai, chegou ao Rio de Janeiro para tentar a carreira nacional. Ao assinar um contrato com a TV Rio, passou a participar do programa Noites de Gala, com as presença de outros estreantes da época: Jorge Ben, Wilson Simonal e o Trio Iraquitan. A partir da televisão, conheceu o baterista Dom Um Romão, que a levou para um show no Beco das Garrafas. Elis passou a acompanhar os principais shows realizados no auge do movimento Bossa Nova.

Sua carreira ganhou projeção nacional, quando, em 1965, venceu o Primeiro Festival de Música Brasileira com a música Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes. Nesse mesmo ano, começou a frutífera parceria com Jair Rodrigues, que rendeu os três discos da série Dois na Bossa e o programa de televisão O Fino da Bossa. Este último levou grandes estrelas da então nascente MPB ao palco do teatro Record. Seu primeiro disco individual, Samba, eu canto assim, foi lançado também em 1965, pelo selo CBD/Philips.

Em seu disco Elis, de 1966, a Pimentinha gravou Canção do Sal , clássico do até então novato compositor e cantor mineiro Milton Nascimento. Ponta de Areia, Travessia e Maria, Maria: Todas parcerias de Milton e Fernando Brant tornaram-se clássicas em sua voz. Elis também descobriu Renato Teixeira, de quem gravou Romaria .

Apesar do estilo cool e sussurrado do canto da bossa nova estar em voga na época, Elis preferia um tipo de interpretação mais "expressionista". Em suas apresentações, a cantora marcava o ritmo e passagens das músicas com movimentos de braço que se tornaram uma marca registrada de sua presença em cena e lhe renderam o apelido de "Hélice Regina". Por causa de seu temperamento enérgico, a cantora ganhou ainda os apelidos de "Furacão" e "Pimentinha".

Em 1969, ela voltou ao Brasil dividindo-se então entre o programa Elis Studio, ainda na TV Record, e o cuidado com sua primeira gravidez, fruto do casamento com Ronaldo Bôscoli. Dois anos depois, deixou a Record e passou a apresentar, na Globo, junto com Ivan Lins, o programa Som Livre Exportação. Elis ganhou, logo depois, uma vitrine própria com o mensal Elis Especial, sob a direção do marido Bôscoli e de Miele.

Os melhores autores brasileiros foram gravados por Elis no início dos anos 70. Baden Powell contribuiu com Vou deitar e rolar; de Vinicius de Moraes, ela interpretou Canto de Ossanha . O disco Elis, de 1972, trouxe duas de suas mais antológiocas gravações: Águas de Março e Atrás da Porta. São Paulo assistiu extasiado ao show desse disco, com Elis e uma banda de 11 músicos, sob a direção de César Camargo Mariano.

Para festejar 10 anos de carreira, Elis decidiu gravar um disco com Tom Jobim em 1974. O LP virou show em outubro, com a presença do maestro em São Paulo, há 9 anos sem se apresentar na cidade - um dos destaques do espetáculo foi Chovendo na Roseira . O disco anual da cantora, lançado em novembro, trouxe composições do então novato João Bosco, como Dois pra lá, dois pra cá . 1975 chegou trazendo Pedro para Elis, filho de César Camargo, com quem a cantora fundou a produtora Trama. A empresa não poderia estrear melhor: o concerto Falso Brilhante levou ao palco muito mais do que uma cantora e sua banda, como puderam comprovar as mais de 1,5 mil pessoas que compareceram - diariamente - ao Teatro Bandeirantes. Mais de 250 apresentações, durante 14 meses, fizeram com que o espetáculo fosse premiado como o melhor do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Depois de trocar a vida poluída na cidade por uma casa na Serra da Cantareira, Elis e César ganharam mais uma criança, dessa vez uma menina. Dois meses após o nascimento de Maria Rita, em novembro de 1977, o show Transversal do Tempo estreou em Porto Alegre. O espetáculo excursionou por diversas capitais brasileiras e também pela Itália e Espanha. Sobre uma possível apresentação em Buenos Aires, Elis foi categórica: "Enquanto meu disco [Falso Brilhante] continuar proibido pela censura argentina, não me apresento lá". A justiça havia interditado a distribuição do disco por conta da música Gracias a la vida, de Violeta Parra.

Em 1979, Elis participou do 13º Festival de Jazz de Montreux, na Suíça. Além da banda com cinco músicos, fizeram parte do show
Toots Thielmans e Hermeto Paschoal. Outro show histórico aconteceu no ano seguinte: o espetáculo Saudades do Brasil começou sua temporada em abril, no Canecão (RJ), mas foi interrompido em julho com a morte de Vinicius de Moraes. O show virou disco, com tiragem limitada de 25 mil unidades. Ainda em 1980, Elis lançou novo disco, desta vez pela EMI-Odeon, dedicado a Rita Lee, "meu ídolo, minha amiga e colega de internato". Seria o último disco gravado pela cantora.

Além de ter sido eternizada como a melhor intérprete do Brasil, Elis Regina também ficou conhecida pela qualidade das músicas que escolhia para cantar. Em seus discos, o perfeccionismo era primordial. Criaram-se até lendas sobre a forma como ela escolhia as composições que iriam fazer parte de seus álbuns. Nomes antes desconhecidos como Milton Nascimento e Fernando Brant, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vitor Martins foram lançados pela diva.

A dedicação à concepção e produção do show Trem Azul ocupou Elis durante 1981. O espetáculo inaugurou a casa de shows paulista Anhembi e depois foi para o Rio de Janeiro e Porto Alegre. Com uma nova mudança de gravadora, agora a Som Livre, Elis não chegou a gravar nenhum disco na nova empresa, pois morreu em 19 de janeiro de 1982, em São Paulo, vítima de overdose de cocaína. Um cortejo de cerca de 50 mil fãs e amigos da cantora acompanhou o carro do corpo de bombeiros que levou o corpo de Elis do Teatro Bandeirantes, região central de São Paulo, onde fora velado, até o Cemitério do Morumbi.

Fontes:
http://www1.uol.com.br/musica/materias/elis.shl
http://www2.uol.com.br/JC/elis/index.htm



sonhado por Marcia, 17:52
Sonharam:



Domingo, Janeiro 04, 2004

"O que me encanta é a linha alada/ das tuas espáduas, e a curva/ que descreves,/ pássaro das águas." Cecília Meireles



MILLÔR FERNANDES


Saiu o leão a fazer sua pesquisa estatística, para verificar se ainda era o Rei das Selvas. Os tempos tinham mudado muito, as condições do progresso alterado a psicologia e os métodos de combate das feras, as relações de respeito entre os animais já não eram as mesmas, de modo que seria bom indagar. Não que restasse ao Leão qualquer dúvida quanto à sua realeza. Mas assegurar-se é uma das constantes do espírito humano, e, por extensão, do espírito animal. Ouvir da boca dos outros a consagração do nosso valor, saber o sabido, quando ele nos é favorável, eis um prazer dos deuses. Assim o Leão encontrou o Macaco e perguntou: "Hei, você aí, macaco - quem é o rei dos animais?" O Macaco, surpreendido pelo rugir indagatório, deu um salto de pavor e, quando respondeu, já estava no mais alto galho da mais alta árvore da floresta: "Claro que é você, Leão, claro que é você!".

Satisfeito, o Leão continuou pela floresta e perguntou ao papagaio: "Currupaco, papagaio. Quem é, segundo seu conceito, o Senhor da Floresta, não é o Leão?" E como aos papagaios não é dado o dom de improvisar, mas apenas o de repetir, lá repetiu o papagaio: "Currupaco... não é o Leão? Não é o Leão? Currupaco, não é o Leão?".

Cheio de si, prosseguiu o Leão pela floresta em busca de novas afirmações de sua personalidade. Encontrou a coruja e perguntou: "Coruja, não sou eu o maioral da mata?" "Sim, és tu", disse a coruja. Mas disse de sábia, não de crente. E lá se foi o Leão, mais firme no passo, mais alto de cabeça. Encontrou o tigre. "Tigre, - disse em voz de estentor -eu sou o rei da floresta. Certo?" O tigre rugiu, hesitou, tentou não responder, mas sentiu o barulho do olhar do Leão fixo em si, e disse, rugindo contrafeito: "Sim". E rugiu ainda mais mal humorado e já arrependido, quando o leão se afastou.

Três quilômetros adiante, numa grande clareira, o Leão encontrou o elefante. Perguntou: "Elefante, quem manda na floresta, quem é Rei, Imperador, Presidente da República, dono e senhor de árvores e de seres, dentro da mata?" O elefante pegou-o pela tromba, deu três voltas com ele pelo ar, atirou-o contra o tronco de uma árvore e desapareceu floresta adentro. O Leão caiu no chão, tonto e ensangüentado, levantou-se lambendo uma das patas, e murmurou: "Que diabo, só porque não sabia a resposta não era preciso ficar tão zangado".

MORAL: CADA UM TIRA DOS ACONTECIMENTOS A CONCLUSÃO QUE BEM ENTENDE.


O Rei dos Animais - texto extraído do livro "Fábulas Fabulosas", editado por José Álvaro - Rio de Janeiro, 1964.


sonhado por Marcia, 16:19
Sonharam:

 

:: Sonhando I ::
"Agarra-te aos sonhos porque, se os sonhos morrem, a vida se converte num pássaro de asas quebradas que deixa de voar."
Langston Hughes

:: :: :: ::

:: Sonhando II ::
"Estou sempre nos limiares:
sou sempre esta pausa antes
do início de uma canção,
sou um momento de espera,
quase um fim de solidão.
Sou margem de caminho para a morte,
gesto que pressente atrás do véu:
promessa de chuvas sob o céu,
e vôo que antes de partir
repousa."
Lya Luft

:: :: :: ::

:: E-mail ::
::
Fale comigo

:: :: :: ::

:: Blogs ::
::
::
::
::
::
::
Espaço Livre
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::
::

:: :: :: ::

:: Sites ::
::
Carlos Drummond
::
Literatura
::
Mario Prata
::
Vinícius de Moraes

:: :: :: ::

:: Arquivos ::
::
Arquivos Anteriores

:: :: :: ::

:: Créditos ::
::
Blogger Brasil
::
Ecritures

:: :: :: ::

:: Agradecimentos ::
::
Eu estou no Blog List
::
O Ponto de Encontro dos Blogueiros do Brasil
::
Divulgue o seu blog!
::

:: :: :: ::