Sábado,
Março 27, 2004
"Vamos sair - mas não temos mais dinheiro/ Os meus
amigos todos estão procurando emprego/ Voltamos a
viver como há dez anos atrás/ E a cada hora que passa/
Envelhecemos dez semanas."
RENATO RUSSO
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar/
Que tudo era pra sempre/ Sem saber/ Que o pra sempre/
Sempre acaba?
Renato Manfredini Junior nasceu no dia 27 de março
de 1960, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Filho de pai economista do Banco do Brasil e de mãe
professora de inglês, Renato teve uma infância tranqüila,
em uma família de classe média alta, onde pôde adquirir
uma boa amplitude cultural. Principalmente, depois
da estada fora do Brasil. Aos sete anos de idade,
foi morar nos Estados Unidos, porque o Renato pai
iria fazer um curso, logo sendo matriculado em uma
escola local. Juninho, como era chamado, e Carmem
Teresa, sua irmã caçula, puderam então ampliar seus
conhecimentos na língua de Shakespeare.
Dois anos depois Renato e família voltaram para o
Brasil e residiram em Curitiba por mais dois anos.
Aos 11 anos, Renato se mudou para Brasília. Ali começaria
a fase mais traumática até então. Em 1975, com 15
anos, Renato ficou impossibilitado de andar. Sofria
de epifisiólise, uma doença rara que ataca os ossos.
Passou por diversos tratamentos e operações. Voltaria
a caminhar já aos 17 anos.
Nome artístico - Apesar da complicação natural da
situação, Renato acabou aproveitando o tempo para
ler. Ele chegou a criar uma banda fictícia, na qual
o cantor/alter ego se chamava Eric Russel. O sobrenome
artístico era uma homenagem coletiva ao filósofo Jean-Jacques
Rousseau, ao pintor naîf Henri Rousseau e ao filósofo
Bertrand Russell. Esta mistura filosófica e artística
daria origem também ao "Russo" do Renato.
Antes de realizar o sonho, porém, o futuro músico
ainda seria professor de inglês, programador de rádio
e jornalista. Lecionando na Cultura Inglesa, foi escolhido
pela entidade para recepcionar o Príncipe Charles
quando o monarca inaugurou uma das filiais do grupo.
E lá estava Juninho com seu inglês perfeito.
Andava com uma certa "Turma da Colina". Rapazes que
se reuniam em um conjunto de prédios construídos para
abrigar professores e funcionários da UnB. Um enclave
de liberdade em uma Brasília sombria. Embaladas por
maconha e garrafões de vinho, diversas bandas de punk
rock surgiram do núcleo cultural.
Vento no Litoral
Letra: Renato Russo - Música: Dado Villa-Lobos/Renato
Russo/Marcelo Bonfá
De tarde quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras.
Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que eu tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção.
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo.
E quando vejo o mar
Existe algo que diz:
"-A vida continua e se entregar é uma bobagem."
Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim.
Quero ser feliz ao menos.
Lembra que o plano era ficarmos bem?
"-Ei, olha só o que achei: cavalos-marinhos."
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.
Será
Letra: Renato Russo - Música: Dado Villa-Lobos/Renato
Russo/Marcelo Bonfá
Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominado assim
Que você vai me entender
Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor.
Será isso imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão
Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração.
Será isso imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?
Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai
Nos proteger?
Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?
Mais Uma Vez
(Renato Russo-Flávio Venturi)
Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança
Mas é claro que o sol...
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Apesar de recusar o rótulo, Renato Russo não demorou
para se tornar um mito. O cantor, músico e compositor
foi líder de uma das maiores bandas de rock nacional
dos anos 80, a Legião Urbana. Influenciado por grupos
como The Smiths, Clash e Gung of Four, a Legião foi
formada em 1982. Renato era responsável pelo vocal
e pelo baixo, acompanhado por Dado Villa-Lobos na
guitarra e Marcelo Bonfá na bateria
"O mal do século é a solidão/ Cada um de nós imerso
em sua própria arrogância/ Esperando por um pouco
de afeição."
Fontes:
http://jbonline.terra.com.br/inter/musicali/especiais/renatorusso/
http://www.renatorusso.com.br/
sonhado por Marcia, 15:19
Sonharam:
Quarta-feira,
Março 24, 2004
"Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos./
Tive medo de a enxugar, para não saberes que havia
caído." Cecília Meireles
MARIO PRATA
Cada vez chego mais à conclusão que não existe nada
mais melindroso do que um churrasco caseiro. E, ao
mesmo tempo, relaxante.
Sim, porque no Brasil todo mundo entende de duas coisas:
ou é metido a ser técnico de futebol ou a fazer churrasco.
Tem os que sabem. E tem os outros. E é muito difícil
você ver alguém fazendo um churrasco e não dar pelo
menos um palpite. E o churrasqueiro de plantão sabe
que, se sucumbir ao primeiro investimento alheio,
terá de aturar o chato até o fim da tarde.
Os palpites já começam na hora de acender o fogo.
- Você não tem aquele negocinho para colocar embaixo,
que fica pegando fogo?
- Com jornal! Pega os classificados!
- O Caderno 2, não!!!
- Se não abanar, não vai pegar. Vai por mim.
- Colocou muito carvão. Vai sufocar o fogo. Não disse?
- Tá muito alto. Joga água!
- Não falei para não jogar água? Olha aí, apagou.
- Você é que não abanou. Dá licença?
Fogo pronto, todo mundo já na segunda caipirinha,
as esposas lá do outro lado. Se tem uma coisa que
mulher não entende é de churrasco. Participam, no
máximo, com a salada e os gritos de: amor, traz mais
um pano de prato?
Aí começam os palpites pra valer:
- Se eu fosse você, colocava a lingüiça na parte de
baixo.
- O quê??? Vai fatiar a picanha? Peloamordedeus!,
isso é uma infâmia!
- Olha, sem querer ser chato, mas eu acho melhor colocar
a gordura para o lado de baixo. Depois virar. E não
virar mais.
- O problema do lombo é que demora mais. Precisa ficar
embaixo. Muita gordura, meu.
- Tá vendo?, pinga a gordura e o fogo sobe. Assim
não vai dar. Joga a água.
- Limão? Na picanha?
- Aquela lingüiça ali já não está boa? Cadê o pão?
- Mas não fui eu quem ficou de comprar o pão. Clotilde!
Não tem pão!!!
- Me dá licença? Posso virar a costela? O que é isso
que você colocou aqui? Orégano??? Tá doido, cara?
- De peixe eu entendo. Só sal e limão. Não, cara,
sal grosso, não. Sal fino. Põe por dentro. Assim,
ó. Tem papel laminado, não?
Já está todo mundo ali a ponto de enfiar o espeto
no colega de repartição quando começam a chegar as
crianças.
- Já tem lingüiça, paiê?
- Já disse que eu chamo. É surdo?
É quando chega o colega retardatário e, antes de cumprimentar?
- Esse fogo tá muito alto. Com licença. Se tem uma
coisa que eu entendo é de churrasco, Edgar. Deixa
comigo. Quem é que está fazendo a caipirinha? Muito
açúcar. Tá um melado isso aqui.
- Põe mais carvão, Souzinha.
- Queimei o dedo!
- Sei não, eu, por mim, virava essa picanha. Vai torrar,
cara.
- Você precisa comprar uma faca melhor. Olha aí. Isso
aqui está estragando a carne.
- Joaninha, cadê a faca boa? Aquela que o seu pai
me deu?
- Cuidado que tá quente, filho. Não disse? Não me
ouve...
- Mas não tem nem uma manteiguinha para passar na
batata, Nestor?
- Clotilde!!! Eu já não disse que margarina não serve?
Olhaí, derrete muito rápido, esfria a batata. Ah,
meu Deus do céu!
E por aí vai, até escurecer e o fogo apagar de vez.
Existe uma teoria psicanalítica de que quem faz churrasco
não precisa fazer terapia. Que os grandes e amadores
churrasqueiros são todos pessoas muito bem resolvidas.
Deve ser verdade, pois colocam avental com uma feminilidade
cativante. Ficam - dois ou três homenzarrões abraçados
- olhando por horas e horas para o fogo ardente, brigando
e discutindo como se fossem marido e mulher. Já notou?
Já notou quando um queima o dedo, com que carinho
é tratado pelos outros? Já vi barbudo chupar o dedo
do outro ali, ao lado das brasas da amizade.
Se não houvesse o churrasco caseiro, os homens seriam
muito mais tristes, muito mais violentos.
Fazer um churrasco num sábado, resolve todos os problemas
da firma, do casamento e dos filhos. O homem vira
um herói de si mesmo.
O Churrasco - Crônica publicada no jornal O Estado
de São Paulo, em 18/07/2001
sonhado por Marcia, 16:08
Sonharam:
Domingo, Março 21, 2004
AYRTON SENNA DA SILVA, SIMPLESMENTE O MELHOR
"Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação
total, buscar seu último limite e dar o melhor de si
mesmo."
Nascido em 21/03/1960, Ayrton Senna jamais teve infância.
Na idade em que a maior parte das crianças jogam futebol,
ele já havia feito a sua escolha: tornar-se o melhor
piloto de corridas do mundo. A irresistível vocação
pela velocidade levou o pai a construir o seu primeiro
kart, o 007 que ele transformou de brinquedo predileto
no primeiro instrumento do lado mais sério da sua vida.
Foi o protótipo que precedeu os karts das inúmeras vitórias
(em 1973 venceu na estréia em Interlagos) e os seis
títulos de campeão entre paulista brasileiro e sul-americano.
A paixão que Ayrton Senna levou do kart foi o grande
segredo de ter sido campeão por onde passou, marcando
uma história de sucesso, que eventualmente incluiria
41 vitórias na Fórmula 1, 65 pole positions e 3 campeonatos
mundiais.
Ele era movido por um ideal, a busca da perfeição, e
por uma paixão, a velocidade. A imagem vitoriosa deste
brasileiro, considerado um dos maiores esportistas da
história, é reconhecida nos quatro cantos do mundo,
seja por seu talento excepcional e por sua determinação
impressionante, ou por desempenho quase mágico. É um
mito do automobilismo mundial e considerado um dos melhores
de todos os tempos. Mas isso tudo não resume o homem
Ayrton Senna. Ao lado de sua paixão pelas pistas, pelos
carros e pela velocidade tão conhecida de todos nós,
havia também uma outra paixão: a paixão por seu povo
e seu país. Essa paixão secreta se revelava a cada vitória
conquistada, quando em meio à multidão ele insistia
em procurar a bandeira que dizia ao mundo de onde ele
vinha e com quem adorava dividir aquela vitória.
"Nesses dez anos de Fórmula 1 minhas maiores alegrias
vieram da torcida. Do Brasil."
Ao vestir o macacão, transpirava um equilíbrio sereno
e se integrava ao carro para sentir cada reação na pista,
fazendo manobras inacreditáveis, dignas de um perfeccionista.
"No Grande Prêmio do Japão, em 1988, eu estava super
concentrado, me preparando para uma curva longa, quando
vi a imagem de Jesus. Era tão grande...Ele estava suspenso,
com a roupa de sempre, a cor de sempre, e uma luz em
volta. Seu corpo inteirinho subia para o céu, ocupando
todo o espaço. Ao mesmo tempo em que tinha essa imagem
incrível, eu guiava um carro de corrida. Guiava com
precisão, com força, com tudo.É de enlouquecer, não
é? É de enlouquecer!"
A violência e a exatidão das pistas nunca assustaram
Ayrton Senna. Ele se transformava em potência superando
todos os desafios sempre em busca da vitória.
"Quero ganhar sempre. Essa história de que o importante
é competir não passa de demagogia."
Enquanto alguns disseram que Ayrton era um homem sem
medo, Senna aliava a sua grande habilidade na pista
à sua religiosidade e dedicação, cujas motivações permitiram-lhe
buscar o equilíbrio, mesmo nos circuitos mais complicados
e sair vitorioso.
"O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas
não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre
elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de
forma negativa, mas como um sentimento de auto preservação."
E hoje, domingo, estamos aqui sem o nosso ídolo, sem
aquele que transformava as nossas manhãs. A Fórmula
1 não é um esporte que leve multidões às ruas e provoque
ruidosas explosões. É no ambiente doméstico, em frente
da televisão, que famílias ou grupos de amigos acompanham
ou acompanhavam as corridas. Foi assim que os brasileiros
aprenderam a gostar de Ayrton Senna da Silva, a admirar
sua tenacidade e talento. Essa admiração pelo piloto,antes
pulverizada, transformou-se num uníssono nacional na
tarde de um domingo, 01/05/1994. Morreu um brasileiro
simpático e audaz que, em inúmeros fins de semana, entrou
nas casas dos brasileiros para enchê-las de emoção e
alegria.
" Eu sou feliz. Serei plenamente feliz, talvez, se
chegar com sabedoria aos 60 anos. De qualquer forma,
ainda tenho muita vida pela frente." Outubro de 1991
Fontes/Imagens: Revista Veja - Edição Extra, 03/05/1994.
http://senna.globo.com/memorialayrtonsenna/
http://www.altosport.com/cgi-bin/preview.pl/s/ayrton-senna/
http://www.sportf1.net/
sonhado por Marcia, 00:10
Sonharam:
Quarta-feira, Março
17, 2004
"Cantar não é trabalho: é devoção, é sacerdócio.
E ser artista foi o que me deixou de pé. Foi para
isso que eu vim."
ELIS REGINA
Em 17 de março de 1945 nascia em Porto Alegre, RS,
Elis Regina de Carvalho Costa, aquela que além de
ter sido eternizada como a melhor intérprete do Brasil,
também ficou conhecida pela qualidade das músicas
que escolhia para cantar. Em seus discos, o perfeccionismo
era primordial. Criaram-se até lendas sobre a forma
como ela escolhia as composições que iriam fazer parte
de seus álbuns. Nomes antes desconhecidos como Milton
Nascimento e Fernando Brant, João Bosco e Aldir Blanc,
Ivan Lins e Vitor Martins foram lançados pela diva.
Envolveu-se com tudo de forma radical - com a música,
com a política, com a vida. Maldita para muitos, Elis
tinha sempre a frase certeira, a mente afiada, propósitos
firmes: "Cara feia pra mim é bode... Sou mais ardida
que pimenta!".
PARABÉNS ELIS, PARA SEMPRE VIVA EM NOSSOS CORAÇÕES!
PS: Veja também o post do dia 20/01/2004.
sonhado por Marcia, 16:25
Sonharam:
Domingo, Março 14,
2004
Neste domingo ela nos emocionou mais uma vez, foi
ouro na prova de solo na segunda etapa da Copa do
Mundo de ginástica e conquistou a prata no salto sobre
o cavalo, ficando atrás de Okasana Chusovitina, do
Uzbequistão, e superando a cubana Gonzales, com 9.075
pontos.
E como hoje é o Dia da Poesia podemos nos emocionar
em dose dupla através dessas 2 gaúchas...na poesia
dos movimentos, da técnica e da graça de Daiane e
na poesia da arte da escrita, dessa que é uma das
minhas escritoras preferidas, Lya Luft."
Uma das tarefas mais difíceis é falar sobre o que
escrevemos. Sou dos escritores que não sabem dizer
coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas
ou seus recursos. Naturalmente, tudo o que faço hoje
é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na
maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho
e na minha arte.
Mas ao ser interrogada sobre o significado de algo
que escrevi, uma frase, um objeto, um personagem,
minha primeira reação é sempre de perplexidade e susto:
não sei, na verdade quase nunca sei. Pois o texto,
à medida que se desenrola, adquire uma estrutura própria,
traz seus recursos de fontes do meu inconsciente de
que eu mesma pouco sei, vai-se elaborando através
de algum talento que eu tenha - sobretudo através
da enorme alegria que me dá escrever, com essa sensação
de desafio, de frio na espinha, de estremecimento
antes de abrir o cofre, a janela, a porta secreta.
Não que eu escreva como num sonho, sem esforço, sem
trablho ou disciplina. Mas algo além disso, algo mais
do que minha capacidade e experiência se derrama de
mim quando escrevo, e esse imponderável, que amo,
e respeito, e ao qual me entrego, é um território
que não sei, não devo ou não quero desvendar inteiramente:
deixo que fique quieto, e, por isso mesmo, seja cada
vez um milagre em mim.
Canção da mulher que escreve
Não perguntem pelo meu poema:
nada sei do coração do pássaro
que a música inflama.
Não queiram entender minhas palavras:
não me dissequem, não segurem entre vidros
essas canções, essas asas, essa névoa.
Não queiram me prender como a um inseto
no alfinete da interpretação:
se não podem amar o meu poema, deixem
que seja somente um poema.
(nem eu ouso erguê-lo entre meus dedos
e perturbar a sua liberdade.)
Fontes:
Lya Luft - Do livro Secreta Mirada - São Paulo, Editora
Mandarim, 1997
Daiane - http://esporte.uol.com.br/outros/ultimas/2004/03/14/ult803u209.jhtm
Imagens : Reuters
sonhado por Marcia, 20:16
Sonharam:
Segunda-feira, Março
08, 2004
...Mas é preciso ter força,/É preciso ter raça,/É
preciso ter gana, sempre...
....Mas é preciso ter manha,/É preciso ter graça,/É
preciso ter sonho, sempre...
...Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha
mania de ter fé na vida...
Hoje, Dia Internacional da Mulher, quero prestar
a minha homenagem a todas as mulheres através dessa
campeã, uma ginasta cuja história é muito parecida
com a de muitos atletas brasileiros e de muitas mulheres
que enfrentam obstáculos, que caem mas encontram forças
para se levantar, que não perdem a fé, que acreditam
nos seus sonhos, que são determinadas, lutam e conseguem,
com raça, alcançar a vitória. Os trechos iniciais
do post são da música Maria, Maria, de Milton Nascimento
e Fernando Brant, uma música que mostra muito essa
força da mulher.
"Comecei tarde. Geralmente as meninas começam com
5 ou 6 anos, e eu tinha 11. Também não tinha recursos,
mas era perseverante para tentar e contei com o apoio
da família, o que é muito importante".
DAIANE GARCIA DOS SANTOS
Ela foi descoberta em 1995, na praça do Centro Esportivo
do bairro onde morava. Na época com 11 anos, brincava
no trampolim do local e acabou chamando a atenção
da técnica Cleuza de Paula, que a levou para o Centro
Estadual de Treinamento Esportivo (Cete). A partir
daí, muito empenho, dedicação e treino lhe renderam
muitas premiações.
Filha de uma cozinheira e de um monitor da Proteção
Especial (ex-Febem), aos 20 anos, 1,45 metros e 41
quilos, a gauchinha, além da alegria que dá à família
com sua carreira vitoriosa, ajuda financeiramente
os pais e mais três irmãs. Nem a falta de patrocínio
no início da carreira e nem a experiência de ter que
fazer cirurgias nos dois joelhos desanimaram Daiane.
Com persistência, dedicação e treino, muito treino,
ela levou a ginástica brasileira ao posto mais alto
do pódio.
Daiane tem os dois joelhos "batizados". Em 2002, teve
que fazer uma cirurgia no joelho esquerdo por causa
de uma ruptura no tendão patelar. Dois meses antes
dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e do Campeonato
Mundial de Ginástica Artística, se submeteu a uma
cirurgia no joelho direito. O menisco lateral quebrou
e esfarelou dentro do joelho.
A Federação Internacional de Ginástica (FIG) oficializou
a inclusão do elemento "Dos Santos" (duplo twist carpado),
apresentado por Daiane no Mundial disputado nos EUA,
em agosto, quando ela levou a inédita medalha de ouro
no solo, que lhe rendeu a nota Super E (grau máximo
de dificuldade).
Daiane dos Santos, a primeira brasileira campeã mundial
de Ginástica Artística, nos exercícios de solo, conquistou
em nov/2003 a medalha de ouro no solo na etapa de
Stuttgart da Copa do Mundo de Ginástica, na Alemanha.
A brasileira, que foi campeã mundial em agosto ao
realizar o inédito salto duplo twist carpado, que
foi batizado como salto "dos Santos", superou suas
adversárias em Stuttgart com mais um salto inédito,
o duplo twist esticado.
Segundo Oleg Ostapenko, técnico ucraniano que treina
a equipe brasileira de ginástica, Daiane foi escolhida
para treinar a coreografia com o duplo twist carpado
pela sua força, impulsão e talento. Só os homens executavam
movimentos semelhantes ao duplo twist.
Ontem, a melhor atleta do Brasil em 2003 apontada
pelo COB, confirmou seu favoritismo e conquistou a
medalha de ouro na final do solo na etapa da Copa
do Mundo de Ginástica, em Cottbus (Alemanha), onde
dominou todas as etapas do solo. Nas eliminatórias,
na fase final e na decisão da medalha de ouro, a brasileira
foi a melhor. E, além do novo salto, Daiane ainda
tem um trunfo na manga: não exibiu sua nova coreografia,
baseada na música "Brasileirinho". A "novidade" deverá
estar no repertório da ginasta para Atenas.
Em sua primeira apresentação, a brasileira obteve
uma nota 9.687, contra 9.550 da romena. As duas foram
para a decisão uma vez que na Copa do Mundo é utilizado
um sistema diferente de classificação. Nas outras
competições, o resultado final sai logo após a apresentação
dos oito finalistas
.
Neste domingo, Daiane, usando a coreografia que lhe
deu o título mundial "Para los Rumberos", obteve uma
nota 9.687 em sua primeira apresentação. A romena
Catalina Ponor, medalha de ouro na trave, também passou
à decisão da medalha de ouro ao obter 9.550.
Na Copa do Mundo, é utilizado um sistema diferente
de classificação. Em todos os outros eventos da ginástica
artística, há uma fase de classificação e, na final,
com os oito melhores ginastas, as medalhas já são
decididas. Na Copa do Mundo, além da final, há ainda
uma decisão do ouro entre os donos das duas melhores
notas.
Na decisão, Daiane apresentou o duplo-twist carpado
e que lhe garantiu o título mundial e surpreendeu
ao usar também o duplo-twist esticado.
Sob fortes aplausos do público, a brasileira deixou
o local sorridente, recebeu uma nota ainda melhor,
9.762 e garantiu a medalha de ouro.
Principais conquistas:
Ouro no solo na Copa do Mundo (Alemanha, em novembro/03)
Ouro no solo no Campeonato Mundial (EUA, em agosto/03)
Bronze por equipe nos Jogos Pan-Americanos de 2003
Ouro no salto no Campeonato Brasileiro (2003)
Ouro no solo no Campeonato Pan Americano (2001)
Bronze por equipe no Pan-Americano de 1999
Bronze no solo no Pan-Americano (99)
Prata no salto no Pan-Americano (99)
Ouro no salto e no solo na Copa Canberra (Austrália/98)
Ouro no salto nos Jogos Sul Americanos (Venezuela/98)
Fontes/Imagens: http://noticias.uol.com.br/jornais/outros/
http://www.bestsports.com.br/ginastpag.php
http://www.pt-sp.org.br/ld-587b.htm
http://www.interesportes.com.br/idolos/idolo0.htm#ficha
http://esporte.uol.com.br/outros
sonhado por Marcia, 07:47
Sonharam:
Sábado, Março 06, 2004
"E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir;
foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais
triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação
como às vezes acontece em um baile de carnaval - uma
pessoa se perde da outra, procura-a por um instante
e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes
pensar que a última vez que se encontraram se amaram
muito - depois apenas aconteceu que não se encontraram
mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu,
cada um para seu lado - sem glória nem humilhação."
RUBEM BRAGA
Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está
lendo e diz:
- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente
de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você
acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim,
uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres
e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem
do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um
sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo
que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe
fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias,
que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história
desse crime. "Durante os três primeiros anos o casal
viveu imensamente feliz..." Você sabia disso? O jornal
nunca publica uma nota assim:
"Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier,
o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a
senhora Deolinda Brito Ramos, de 23 anos de idade, aproveitou-se
de um momento em que sua consorte erguia os braços para
segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe
beijos na garganta e na face, culminando em um beijo
na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão
voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na
boca e murmurando as seguintes palavras: "Meu amor",
ao que ele retorquiu: "Deolinda". Na manhã seguinte,
Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às
7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que
o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa,
para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade
do casal".
A impressão que a gente tem, lendo os jornais - continuou
meu amigo - é que "lar" é um local destinado principalmente
à prática de "uxoricídio". E dos bares, nem se fala.
Imagine isto:
"Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias
Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha,
sem número, no Encantado, entrou no bar "Flor Mineira",
à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro
Amâncio de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos
entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham
a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de
residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros,
e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo-se
aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se
à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir
rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do
botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca
declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro
protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes.
Joca, entretanto, insistiu, seguindo-se uma disputa
entre os três homens, que terminou com a intervenção
do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe
estendia. No momento em trouxe o troco, o garçon recebeu
uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo
acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar
alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz
no subúrbuio do Encantado, e a noite foi bastante fresca,
tendo dona Maria, sogra do comerciário Adalberto Ferreira,
residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi
muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo
depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço
de goiabada".
E meu amigo:
- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las
a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque
os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão
banal de que ninguém se lembra: a vida...
Os jornais...do livro Para gostar de ler, ed. São
Paulo, Ática, 1980
sonhado por Marcia, 16:25
Sonharam:
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