Brasil - Rio de Janeiro - Hoje é dia: /


Sábado, Março 27, 2004


"Vamos sair - mas não temos mais dinheiro/ Os meus amigos todos estão procurando emprego/ Voltamos a viver como há dez anos atrás/ E a cada hora que passa/ Envelhecemos dez semanas."

RENATO RUSSO



Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar/ Que tudo era pra sempre/ Sem saber/ Que o pra sempre/ Sempre acaba?


Renato Manfredini Junior nasceu no dia 27 de março de 1960, no Humaitá, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Filho de pai economista do Banco do Brasil e de mãe professora de inglês, Renato teve uma infância tranqüila, em uma família de classe média alta, onde pôde adquirir uma boa amplitude cultural. Principalmente, depois da estada fora do Brasil. Aos sete anos de idade, foi morar nos Estados Unidos, porque o Renato pai iria fazer um curso, logo sendo matriculado em uma escola local. Juninho, como era chamado, e Carmem Teresa, sua irmã caçula, puderam então ampliar seus conhecimentos na língua de Shakespeare.

Dois anos depois Renato e família voltaram para o Brasil e residiram em Curitiba por mais dois anos. Aos 11 anos, Renato se mudou para Brasília. Ali começaria a fase mais traumática até então. Em 1975, com 15 anos, Renato ficou impossibilitado de andar. Sofria de epifisiólise, uma doença rara que ataca os ossos. Passou por diversos tratamentos e operações. Voltaria a caminhar já aos 17 anos.

Nome artístico - Apesar da complicação natural da situação, Renato acabou aproveitando o tempo para ler. Ele chegou a criar uma banda fictícia, na qual o cantor/alter ego se chamava Eric Russel. O sobrenome artístico era uma homenagem coletiva ao filósofo Jean-Jacques Rousseau, ao pintor naîf Henri Rousseau e ao filósofo Bertrand Russell. Esta mistura filosófica e artística daria origem também ao "Russo" do Renato.

Antes de realizar o sonho, porém, o futuro músico ainda seria professor de inglês, programador de rádio e jornalista. Lecionando na Cultura Inglesa, foi escolhido pela entidade para recepcionar o Príncipe Charles quando o monarca inaugurou uma das filiais do grupo. E lá estava Juninho com seu inglês perfeito.

Andava com uma certa "Turma da Colina". Rapazes que se reuniam em um conjunto de prédios construídos para abrigar professores e funcionários da UnB. Um enclave de liberdade em uma Brasília sombria. Embaladas por maconha e garrafões de vinho, diversas bandas de punk rock surgiram do núcleo cultural.



Vento no Litoral
Letra: Renato Russo - Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


De tarde quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras.

Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora

Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que eu tenho mais saudade,
Quando olhávamos juntos na mesma direção.

Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim?

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo.

E quando vejo o mar
Existe algo que diz:
"-A vida continua e se entregar é uma bobagem."

Já que você não está aqui,
O que posso fazer é cuidar de mim.
Quero ser feliz ao menos.
Lembra que o plano era ficarmos bem?

"-Ei, olha só o que achei: cavalos-marinhos."

Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora.



Será
Letra: Renato Russo - Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá


Tire suas mãos de mim
Eu não pertenço a você
Não é me dominado assim
Que você vai me entender

Eu posso estar sozinho
Mas eu sei muito bem aonde estou
Você pode até duvidar
Acho que isso não é amor.

Será isso imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Nos perderemos entre monstros
Da nossa própria criação
Serão noites inteiras
Talvez por medo da escuridão

Ficaremos acordados
Imaginando alguma solução
Pra que esse nosso egoísmo
Não destrua nosso coração.

Será isso imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?

Brigar pra quê
Se é sem querer
Quem é que vai
Nos proteger?

Será que vamos ter
Que responder
Pelos erros a mais
Eu e você?



Mais Uma Vez
(Renato Russo-Flávio Venturi)


Mas é claro que o sol
Vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei

Escuridão já vi pior
De endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem

Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende

Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança

Mas é claro que o sol...

Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende




Apesar de recusar o rótulo, Renato Russo não demorou para se tornar um mito. O cantor, músico e compositor foi líder de uma das maiores bandas de rock nacional dos anos 80, a Legião Urbana. Influenciado por grupos como The Smiths, Clash e Gung of Four, a Legião foi formada em 1982. Renato era responsável pelo vocal e pelo baixo, acompanhado por Dado Villa-Lobos na guitarra e Marcelo Bonfá na bateria


"O mal do século é a solidão/ Cada um de nós imerso em sua própria arrogância/ Esperando por um pouco de afeição."


Fontes:
http://jbonline.terra.com.br/inter/musicali/especiais/renatorusso/
http://www.renatorusso.com.br/


sonhado por Marcia, 15:19
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Quarta-feira, Março 24, 2004

"Minha primeira lágrima caiu dentro dos teus olhos./ Tive medo de a enxugar, para não saberes que havia caído." Cecília Meireles


MARIO PRATA

Cada vez chego mais à conclusão que não existe nada mais melindroso do que um churrasco caseiro. E, ao mesmo tempo, relaxante.

Sim, porque no Brasil todo mundo entende de duas coisas: ou é metido a ser técnico de futebol ou a fazer churrasco. Tem os que sabem. E tem os outros. E é muito difícil você ver alguém fazendo um churrasco e não dar pelo menos um palpite. E o churrasqueiro de plantão sabe que, se sucumbir ao primeiro investimento alheio, terá de aturar o chato até o fim da tarde.

Os palpites já começam na hora de acender o fogo.

- Você não tem aquele negocinho para colocar embaixo, que fica pegando fogo?

- Com jornal! Pega os classificados!

- O Caderno 2, não!!!

- Se não abanar, não vai pegar. Vai por mim.

- Colocou muito carvão. Vai sufocar o fogo. Não disse?

- Tá muito alto. Joga água!

- Não falei para não jogar água? Olha aí, apagou.

- Você é que não abanou. Dá licença?

Fogo pronto, todo mundo já na segunda caipirinha, as esposas lá do outro lado. Se tem uma coisa que mulher não entende é de churrasco. Participam, no máximo, com a salada e os gritos de: amor, traz mais um pano de prato?

Aí começam os palpites pra valer:

- Se eu fosse você, colocava a lingüiça na parte de baixo.

- O quê??? Vai fatiar a picanha? Peloamordedeus!, isso é uma infâmia!

- Olha, sem querer ser chato, mas eu acho melhor colocar a gordura para o lado de baixo. Depois virar. E não virar mais.

- O problema do lombo é que demora mais. Precisa ficar embaixo. Muita gordura, meu.

- Tá vendo?, pinga a gordura e o fogo sobe. Assim não vai dar. Joga a água.

- Limão? Na picanha?

- Aquela lingüiça ali já não está boa? Cadê o pão?

- Mas não fui eu quem ficou de comprar o pão. Clotilde! Não tem pão!!!

- Me dá licença? Posso virar a costela? O que é isso que você colocou aqui? Orégano??? Tá doido, cara?

- De peixe eu entendo. Só sal e limão. Não, cara, sal grosso, não. Sal fino. Põe por dentro. Assim, ó. Tem papel laminado, não?

Já está todo mundo ali a ponto de enfiar o espeto no colega de repartição quando começam a chegar as crianças.

- Já tem lingüiça, paiê?

- Já disse que eu chamo. É surdo?

É quando chega o colega retardatário e, antes de cumprimentar?

- Esse fogo tá muito alto. Com licença. Se tem uma coisa que eu entendo é de churrasco, Edgar. Deixa comigo. Quem é que está fazendo a caipirinha? Muito açúcar. Tá um melado isso aqui.

- Põe mais carvão, Souzinha.

- Queimei o dedo!

- Sei não, eu, por mim, virava essa picanha. Vai torrar, cara.

- Você precisa comprar uma faca melhor. Olha aí. Isso aqui está estragando a carne.

- Joaninha, cadê a faca boa? Aquela que o seu pai me deu?

- Cuidado que tá quente, filho. Não disse? Não me ouve...

- Mas não tem nem uma manteiguinha para passar na batata, Nestor?

- Clotilde!!! Eu já não disse que margarina não serve? Olhaí, derrete muito rápido, esfria a batata. Ah, meu Deus do céu!

E por aí vai, até escurecer e o fogo apagar de vez.

Existe uma teoria psicanalítica de que quem faz churrasco não precisa fazer terapia. Que os grandes e amadores churrasqueiros são todos pessoas muito bem resolvidas.

Deve ser verdade, pois colocam avental com uma feminilidade cativante. Ficam - dois ou três homenzarrões abraçados - olhando por horas e horas para o fogo ardente, brigando e discutindo como se fossem marido e mulher. Já notou? Já notou quando um queima o dedo, com que carinho é tratado pelos outros? Já vi barbudo chupar o dedo do outro ali, ao lado das brasas da amizade.

Se não houvesse o churrasco caseiro, os homens seriam muito mais tristes, muito mais violentos.

Fazer um churrasco num sábado, resolve todos os problemas da firma, do casamento e dos filhos. O homem vira um herói de si mesmo.

O Churrasco - Crônica publicada no jornal O Estado de São Paulo, em 18/07/2001

sonhado por Marcia, 16:08
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Domingo, Março 21, 2004

AYRTON SENNA DA SILVA, SIMPLESMENTE O MELHOR





"Se você quer ser bem sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo."


Nascido em 21/03/1960, Ayrton Senna jamais teve infância. Na idade em que a maior parte das crianças jogam futebol, ele já havia feito a sua escolha: tornar-se o melhor piloto de corridas do mundo. A irresistível vocação pela velocidade levou o pai a construir o seu primeiro kart, o 007 que ele transformou de brinquedo predileto no primeiro instrumento do lado mais sério da sua vida. Foi o protótipo que precedeu os karts das inúmeras vitórias (em 1973 venceu na estréia em Interlagos) e os seis títulos de campeão entre paulista brasileiro e sul-americano.

A paixão que Ayrton Senna levou do kart foi o grande segredo de ter sido campeão por onde passou, marcando uma história de sucesso, que eventualmente incluiria 41 vitórias na Fórmula 1, 65 pole positions e 3 campeonatos mundiais.

Ele era movido por um ideal, a busca da perfeição, e por uma paixão, a velocidade. A imagem vitoriosa deste brasileiro, considerado um dos maiores esportistas da história, é reconhecida nos quatro cantos do mundo, seja por seu talento excepcional e por sua determinação impressionante, ou por desempenho quase mágico. É um mito do automobilismo mundial e considerado um dos melhores de todos os tempos. Mas isso tudo não resume o homem Ayrton Senna. Ao lado de sua paixão pelas pistas, pelos carros e pela velocidade tão conhecida de todos nós, havia também uma outra paixão: a paixão por seu povo e seu país. Essa paixão secreta se revelava a cada vitória conquistada, quando em meio à multidão ele insistia em procurar a bandeira que dizia ao mundo de onde ele vinha e com quem adorava dividir aquela vitória.

"Nesses dez anos de Fórmula 1 minhas maiores alegrias vieram da torcida. Do Brasil."

Ao vestir o macacão, transpirava um equilíbrio sereno e se integrava ao carro para sentir cada reação na pista, fazendo manobras inacreditáveis, dignas de um perfeccionista.

"No Grande Prêmio do Japão, em 1988, eu estava super concentrado, me preparando para uma curva longa, quando vi a imagem de Jesus. Era tão grande...Ele estava suspenso, com a roupa de sempre, a cor de sempre, e uma luz em volta. Seu corpo inteirinho subia para o céu, ocupando todo o espaço. Ao mesmo tempo em que tinha essa imagem incrível, eu guiava um carro de corrida. Guiava com precisão, com força, com tudo.É de enlouquecer, não é? É de enlouquecer!"



A violência e a exatidão das pistas nunca assustaram Ayrton Senna. Ele se transformava em potência superando todos os desafios sempre em busca da vitória.

"Quero ganhar sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de demagogia."

Enquanto alguns disseram que Ayrton era um homem sem medo, Senna aliava a sua grande habilidade na pista à sua religiosidade e dedicação, cujas motivações permitiram-lhe buscar o equilíbrio, mesmo nos circuitos mais complicados e sair vitorioso.

"O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de forma negativa, mas como um sentimento de auto preservação."




E hoje, domingo, estamos aqui sem o nosso ídolo, sem aquele que transformava as nossas manhãs. A Fórmula 1 não é um esporte que leve multidões às ruas e provoque ruidosas explosões. É no ambiente doméstico, em frente da televisão, que famílias ou grupos de amigos acompanham ou acompanhavam as corridas. Foi assim que os brasileiros aprenderam a gostar de Ayrton Senna da Silva, a admirar sua tenacidade e talento. Essa admiração pelo piloto,antes pulverizada, transformou-se num uníssono nacional na tarde de um domingo, 01/05/1994. Morreu um brasileiro simpático e audaz que, em inúmeros fins de semana, entrou nas casas dos brasileiros para enchê-las de emoção e alegria.

" Eu sou feliz. Serei plenamente feliz, talvez, se chegar com sabedoria aos 60 anos. De qualquer forma, ainda tenho muita vida pela frente." Outubro de 1991





Fontes/Imagens: Revista Veja - Edição Extra, 03/05/1994.
http://senna.globo.com/memorialayrtonsenna/
http://www.altosport.com/cgi-bin/preview.pl/s/ayrton-senna/
http://www.sportf1.net/


sonhado por Marcia, 00:10
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Quarta-feira, Março 17, 2004

"Cantar não é trabalho: é devoção, é sacerdócio. E ser artista foi o que me deixou de pé. Foi para isso que eu vim."


ELIS REGINA



Em 17 de março de 1945 nascia em Porto Alegre, RS, Elis Regina de Carvalho Costa, aquela que além de ter sido eternizada como a melhor intérprete do Brasil, também ficou conhecida pela qualidade das músicas que escolhia para cantar. Em seus discos, o perfeccionismo era primordial. Criaram-se até lendas sobre a forma como ela escolhia as composições que iriam fazer parte de seus álbuns. Nomes antes desconhecidos como Milton Nascimento e Fernando Brant, João Bosco e Aldir Blanc, Ivan Lins e Vitor Martins foram lançados pela diva.

Envolveu-se com tudo de forma radical - com a música, com a política, com a vida. Maldita para muitos, Elis tinha sempre a frase certeira, a mente afiada, propósitos firmes: "Cara feia pra mim é bode... Sou mais ardida que pimenta!".

PARABÉNS ELIS, PARA SEMPRE VIVA EM NOSSOS CORAÇÕES!

PS: Veja também o post do dia 20/01/2004.

sonhado por Marcia, 16:25
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Domingo, Março 14, 2004

Neste domingo ela nos emocionou mais uma vez, foi ouro na prova de solo na segunda etapa da Copa do Mundo de ginástica e conquistou a prata no salto sobre o cavalo, ficando atrás de Okasana Chusovitina, do Uzbequistão, e superando a cubana Gonzales, com 9.075 pontos.






E como hoje é o Dia da Poesia podemos nos emocionar em dose dupla através dessas 2 gaúchas...na poesia dos movimentos, da técnica e da graça de Daiane e na poesia da arte da escrita, dessa que é uma das minhas escritoras preferidas, Lya Luft."

Uma das tarefas mais difíceis é falar sobre o que escrevemos. Sou dos escritores que não sabem dizer coisas inteligentes sobre seus personagens, suas técnicas ou seus recursos. Naturalmente, tudo o que faço hoje é fruto de minha experiência de ontem: na vida, na maneira de me vestir e me portar, no meu trabalho e na minha arte.

Mas ao ser interrogada sobre o significado de algo que escrevi, uma frase, um objeto, um personagem, minha primeira reação é sempre de perplexidade e susto: não sei, na verdade quase nunca sei. Pois o texto, à medida que se desenrola, adquire uma estrutura própria, traz seus recursos de fontes do meu inconsciente de que eu mesma pouco sei, vai-se elaborando através de algum talento que eu tenha - sobretudo através da enorme alegria que me dá escrever, com essa sensação de desafio, de frio na espinha, de estremecimento antes de abrir o cofre, a janela, a porta secreta.

Não que eu escreva como num sonho, sem esforço, sem trablho ou disciplina. Mas algo além disso, algo mais do que minha capacidade e experiência se derrama de mim quando escrevo, e esse imponderável, que amo, e respeito, e ao qual me entrego, é um território que não sei, não devo ou não quero desvendar inteiramente: deixo que fique quieto, e, por isso mesmo, seja cada vez um milagre em mim.

Canção da mulher que escreve

Não perguntem pelo meu poema:
nada sei do coração do pássaro
que a música inflama.

Não queiram entender minhas palavras:
não me dissequem, não segurem entre vidros
essas canções, essas asas, essa névoa.
Não queiram me prender como a um inseto
no alfinete da interpretação:
se não podem amar o meu poema, deixem
que seja somente um poema.
(nem eu ouso erguê-lo entre meus dedos
e perturbar a sua liberdade.)

Fontes:
Lya Luft - Do livro Secreta Mirada - São Paulo, Editora Mandarim, 1997
Daiane - http://esporte.uol.com.br/outros/ultimas/2004/03/14/ult803u209.jhtm
Imagens : Reuters


sonhado por Marcia, 20:16
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Segunda-feira, Março 08, 2004

...Mas é preciso ter força,/É preciso ter raça,/É preciso ter gana, sempre...



....Mas é preciso ter manha,/É preciso ter graça,/É preciso ter sonho, sempre...



...Quem traz na pele essa marca/Possui a estranha mania de ter fé na vida...


Hoje, Dia Internacional da Mulher, quero prestar a minha homenagem a todas as mulheres através dessa campeã, uma ginasta cuja história é muito parecida com a de muitos atletas brasileiros e de muitas mulheres que enfrentam obstáculos, que caem mas encontram forças para se levantar, que não perdem a fé, que acreditam nos seus sonhos, que são determinadas, lutam e conseguem, com raça, alcançar a vitória. Os trechos iniciais do post são da música Maria, Maria, de Milton Nascimento e Fernando Brant, uma música que mostra muito essa força da mulher.



"Comecei tarde. Geralmente as meninas começam com 5 ou 6 anos, e eu tinha 11. Também não tinha recursos, mas era perseverante para tentar e contei com o apoio da família, o que é muito importante".


DAIANE GARCIA DOS SANTOS


Ela foi descoberta em 1995, na praça do Centro Esportivo do bairro onde morava. Na época com 11 anos, brincava no trampolim do local e acabou chamando a atenção da técnica Cleuza de Paula, que a levou para o Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete). A partir daí, muito empenho, dedicação e treino lhe renderam muitas premiações.

Filha de uma cozinheira e de um monitor da Proteção Especial (ex-Febem), aos 20 anos, 1,45 metros e 41 quilos, a gauchinha, além da alegria que dá à família com sua carreira vitoriosa, ajuda financeiramente os pais e mais três irmãs. Nem a falta de patrocínio no início da carreira e nem a experiência de ter que fazer cirurgias nos dois joelhos desanimaram Daiane. Com persistência, dedicação e treino, muito treino, ela levou a ginástica brasileira ao posto mais alto do pódio.

Daiane tem os dois joelhos "batizados". Em 2002, teve que fazer uma cirurgia no joelho esquerdo por causa de uma ruptura no tendão patelar. Dois meses antes dos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo e do Campeonato Mundial de Ginástica Artística, se submeteu a uma cirurgia no joelho direito. O menisco lateral quebrou e esfarelou dentro do joelho.

A Federação Internacional de Ginástica (FIG) oficializou a inclusão do elemento "Dos Santos" (duplo twist carpado), apresentado por Daiane no Mundial disputado nos EUA, em agosto, quando ela levou a inédita medalha de ouro no solo, que lhe rendeu a nota Super E (grau máximo de dificuldade).

Daiane dos Santos, a primeira brasileira campeã mundial de Ginástica Artística, nos exercícios de solo, conquistou em nov/2003 a medalha de ouro no solo na etapa de Stuttgart da Copa do Mundo de Ginástica, na Alemanha. A brasileira, que foi campeã mundial em agosto ao realizar o inédito salto duplo twist carpado, que foi batizado como salto "dos Santos", superou suas adversárias em Stuttgart com mais um salto inédito, o duplo twist esticado.

Segundo Oleg Ostapenko, técnico ucraniano que treina a equipe brasileira de ginástica, Daiane foi escolhida para treinar a coreografia com o duplo twist carpado pela sua força, impulsão e talento. Só os homens executavam movimentos semelhantes ao duplo twist.

Ontem, a melhor atleta do Brasil em 2003 apontada pelo COB, confirmou seu favoritismo e conquistou a medalha de ouro na final do solo na etapa da Copa do Mundo de Ginástica, em Cottbus (Alemanha), onde dominou todas as etapas do solo. Nas eliminatórias, na fase final e na decisão da medalha de ouro, a brasileira foi a melhor. E, além do novo salto, Daiane ainda tem um trunfo na manga: não exibiu sua nova coreografia, baseada na música "Brasileirinho". A "novidade" deverá estar no repertório da ginasta para Atenas.

Em sua primeira apresentação, a brasileira obteve uma nota 9.687, contra 9.550 da romena. As duas foram para a decisão uma vez que na Copa do Mundo é utilizado um sistema diferente de classificação. Nas outras competições, o resultado final sai logo após a apresentação dos oito finalistas
.
Neste domingo, Daiane, usando a coreografia que lhe deu o título mundial "Para los Rumberos", obteve uma nota 9.687 em sua primeira apresentação. A romena Catalina Ponor, medalha de ouro na trave, também passou à decisão da medalha de ouro ao obter 9.550.

Na Copa do Mundo, é utilizado um sistema diferente de classificação. Em todos os outros eventos da ginástica artística, há uma fase de classificação e, na final, com os oito melhores ginastas, as medalhas já são decididas. Na Copa do Mundo, além da final, há ainda uma decisão do ouro entre os donos das duas melhores notas.

Na decisão, Daiane apresentou o duplo-twist carpado e que lhe garantiu o título mundial e surpreendeu ao usar também o duplo-twist esticado.

Sob fortes aplausos do público, a brasileira deixou o local sorridente, recebeu uma nota ainda melhor, 9.762 e garantiu a medalha de ouro.

Principais conquistas:
Ouro no solo na Copa do Mundo (Alemanha, em novembro/03)
Ouro no solo no Campeonato Mundial (EUA, em agosto/03)
Bronze por equipe nos Jogos Pan-Americanos de 2003
Ouro no salto no Campeonato Brasileiro (2003)
Ouro no solo no Campeonato Pan Americano (2001)
Bronze por equipe no Pan-Americano de 1999
Bronze no solo no Pan-Americano (99)
Prata no salto no Pan-Americano (99)
Ouro no salto e no solo na Copa Canberra (Austrália/98)
Ouro no salto nos Jogos Sul Americanos (Venezuela/98)



Fontes/Imagens: http://noticias.uol.com.br/jornais/outros/
http://www.bestsports.com.br/ginastpag.php
http://www.pt-sp.org.br/ld-587b.htm
http://www.interesportes.com.br/idolos/idolo0.htm#ficha
http://esporte.uol.com.br/outros



sonhado por Marcia, 07:47
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Sábado, Março 06, 2004

"E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval - uma pessoa se perde da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão. É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito - depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado - sem glória nem humilhação."



RUBEM BRAGA


Meu amigo lança fora, alegremente, o jornal que está lendo e diz:

- Chega! Houve um desastre de trem na França, um acidente de mina na Inglaterra, um surto de peste na Índia. Você acredita nisso que os jornais dizem? Será o mundo assim, uma bola confusa, onde acontecem unicamente desastres e desgraças? Não! Os jornais é que falsificam a imagem do mundo. Veja por exemplo aqui: em um subúrbio, um sapateiro matou a mulher que o traía. Eu não afirmo que isso seja mentira. Mas acontece que o jornal escolhe fatos que noticia. O jornal quer fatos que sejam notícias, que tenham conteúdo jornalístico. Vejamos a história desse crime. "Durante os três primeiros anos o casal viveu imensamente feliz..." Você sabia disso? O jornal nunca publica uma nota assim:

"Anteontem, cerca de 21 horas, na rua Arlinda, no Méier, o sapateiro Augusto Ramos, de 28 anos, casado com a senhora Deolinda Brito Ramos, de 23 anos de idade, aproveitou-se de um momento em que sua consorte erguia os braços para segurar uma lâmpada para abraçá-la alegremente, dando-lhe beijos na garganta e na face, culminando em um beijo na orelha esquerda. Em vista disso, a senhora em questão voltou-se para o seu marido, beijando-o longamente na boca e murmurando as seguintes palavras: "Meu amor", ao que ele retorquiu: "Deolinda". Na manhã seguinte, Augusto Ramos foi visto saindo de sua residência às 7:45 da manhã, isto é, dez minutos mais tarde do que o habitual, pois se demorou, a pedido de sua esposa, para consertar a gaiola de um canário-da-terra de propriedade do casal".

A impressão que a gente tem, lendo os jornais - continuou meu amigo - é que "lar" é um local destinado principalmente à prática de "uxoricídio". E dos bares, nem se fala. Imagine isto:

"Ontem, cerca de 10 horas da noite, o indivíduo Ananias Fonseca, de 28 anos, pedreiro, residente à rua Chiquinha, sem número, no Encantado, entrou no bar "Flor Mineira", à rua Cruzeiro, 524, em companhia de seu colega Pedro Amâncio de Araújo, residente no mesmo endereço. Ambos entregaram-se a fartas libações alcoólicas e já se dispunham a deixar o botequim quando apareceu Joca de tal, de residência ignorada, antigo conhecido dos dois pedreiros, e que também estava visivelmente alcoolizado. Dirigindo-se aos dois amigos, Joca manifestou desejo de sentar-se à sua mesa, no que foi atendido. Passou então a pedir rodadas de conhaque, sendo servido pelo empregado do botequim, Joaquim Nunes. Depois de várias rodadas, Joca declarou que pagaria toda a despesa. Ananias e Pedro protestaram, alegando que eles já estavam na mesa antes. Joca, entretanto, insistiu, seguindo-se uma disputa entre os três homens, que terminou com a intervenção do referido empregado, que aceitou a nota que Joca lhe estendia. No momento em trouxe o troco, o garçon recebeu uma boa gorjeta, pelo que ficou contentíssimo, o mesmo acontecendo aos três amigos que se retiraram do bar alegremente, cantarolando sambas. Reina a maior paz no subúrbuio do Encantado, e a noite foi bastante fresca, tendo dona Maria, sogra do comerciário Adalberto Ferreira, residente à rua Benedito, 14, senhora que sempre foi muito friorenta, chegando a puxar o cobertor, tendo depois sonhado que seu netinho lhe oferecia um pedaço de goiabada".

E meu amigo:

- Se um repórter redigir essas duas notas e levá-las a um secretário de redação, será chamado de louco. Porque os jornais noticiam tudo, tudo, menos uma coisa tão banal de que ninguém se lembra: a vida...

Os jornais...do livro Para gostar de ler, ed. São Paulo, Ática, 1980

sonhado por Marcia, 16:25
Sonharam:



 

:: Sonhando I ::
"Agarra-te aos sonhos porque, se os sonhos morrem, a vida se converte num pássaro de asas quebradas que deixa de voar."
Langston Hughes

:: :: :: ::

:: Sonhando II ::
"Estou sempre nos limiares:
sou sempre esta pausa antes
do início de uma canção,
sou um momento de espera,
quase um fim de solidão.
Sou margem de caminho para a morte,
gesto que pressente atrás do véu:
promessa de chuvas sob o céu,
e vôo que antes de partir
repousa."
Lya Luft

:: :: :: ::

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