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Quarta-feira, Setembro 29, 2004



Sonhado por Marcia, 15:30
Sonharam:





A frase surgiu em uma conversa e acabou virando tema de post. O alcance dela é amplo e cada pessoa terá a sua visão sobre esse amor. Aproveitando o clima primaveril, trechos de alguns poemas de Vinícius de Moraes e a minha visão sobre o tema, vamos falar então de alguns grandes encontros amorosos, ocorridos na vida real ou nas histórias da literatura.



Em 1837 a primeira impressão que Frederic Chopin teve quando encontrou a escritora Aurore Dupin, mais conhecida pelo pseudônimo masculino que usava para assinar seus livros, George Sand, foi desfavorável: "Como é antipática essa Sand! Será mesmo uma mulher? Estou começando a duvidar." Para Chopin, sempre tão educado e polido, os modos de George Sand eram horríveis: vestia roupas de homem, fumava charutos, chamava os desconhecidos por "tu", era separada do marido e desafiava os padrões da moral vitoriana; tinha idéias socialistas. Era ela que estava interessada: fazia convites e mandava bilhetes para o músico.

A escritora se apaixonou imediatamente por aquele "pobre anjo muito triste", seis anos mais jovem que ela, carente de cuidados, doente, desamparado.... Propôs-lhe viverem juntos. Apesar de ter evitado isso por muito tempo, em 1838 os argumentos de George Sand contra os escrúpulos morais de Chopin, que considerava ingênuos, acabaram por surtir efeito.

George Sand se preocupou, em primeiro lugar, com a precária saúde do pianista. Queria tratar do amante, viver com ele e, ao mesmo tempo, desejava afastar-se de seu ex-marido e seus amantes anteriores. Viajaram para a ilha de Maiorca, no litoral da Espanha, e passaram uma temporada em uma casa simples, até que Chopin piorou. Rumores de que estava tuberculoso levaram o proprietário da casa a mandá-los embora. Procuraram refúgio em um convento abandonado, em Valdemosa, nas montanhas da ilha. Aí George Sand inspirou-se para escrever sua novela "Espiridião" e Chopin concluiu seus 24 Prelúdios, o "Scherzo em Dó sustenido menor" e a "Polonaise em Dó menor".

De volta a Paris, com Chopin recuperado da saúde, alugaram dois apartamentos próximos um do outro, de modo a possibilitar seus encontros, sem provocar mexericos. Suas apresentações como pianista ficaram raras: "Não tenho temperamento para dar concertos: o público intimida-me, sinto-me asfixiado pela impaciência, paralisado pelos seus olhares curiosos, mudo perante essas fisionomias desconhecidas", escreveu a seu amigo Liszt.

De tempos em tempos a saúde de Chopin piorava. Sand mostrava-se cada vez mais maternal. O convívio com um ser tão sensível, doente, e, por vezes caprichoso não era fácil para a paciente Sand. Toda complicação vinha de que ele ainda a amava com verdadeiro amor, ao passo que ela há muito tempo só sentia afeição. Quando não estava com ele, era de trato difícil. Escrevia a uns e outros, recomendando-lhes uma vigilância discreta. Que não se esquecesse de tomar seu chocolate pela manhã, seu caldo às dez horas. Que o obrigassem a cuidar-se, a não sair sem agasalho...

No entanto, com o tempo, o caráter de Chopin tornou-se insuportável. A relação entre os dois começou, pouco a pouco a se deteriorar. Suspeitando de que a amante o traía com outro homem, Chopin tornou-se cada vez mais petulante, mal humorado e desagradável. A esse quadro negativo, acrescentaram-se problemas domésticos e brigas por causa dos filhos de George Sand. No verão de 1847, os dois resolveram se separar.

Na madrugada de 17 de outubro de 1849, faleceu Frédéric François Chopin.




Homem esquivo, Pierre Curie vivia exclusivamente em função da física, dedicando à pesquisa todo o seu tempo. Essa situação mudou, porém, quando conheceu uma jovem polonesa, Marja Sklodowska, que, em 1891, com apenas 24 anos, havia deixado Varsóvia, sua cidade natal, e procurado em Paris um clima mais compatível com sua inteligência e seus ideais científicos. Apesar de uma série de fatores adversos que tivera de enfrentar, matriculara-se na Sorbonne.

Entre Pierre e Marja (Marie), as afinidades eram perfeitas, tanto sob o aspecto social, como do ponto de vista científico. Marie, ao lado do homem, via também um físico eminente a quem poderia pedir opinião. Pierre, por sua vez, reconhecia a inteligência de Sklodowska, seu raciocínio rigoroso e principalmente, uma acentuada vocação para a pesquisa. Pierre já havia conquistado certo renome científico, tanto na França como no exterior e Marie era apenas uma estudante de física e matemática. Mas, entre os dois, desenvolveu-se uma amizade profunda, consolidada um ano depois com o casamento.

Eles eram inseparáveis, trabalhavam lado a lado no laboratório durante o dia e estudavam juntos pela noite. Até mesmo a chegada da filha deles, em 1897, pouco interrompia suas rotinas. Porém, antes do nascimento de sua filha, Marie decidira procurar seu doutorado em física, e para sua tese escolheu focalizar na fonte dos raios misteriosos emitido por urânio, um fenômeno que o cientista Henri Becquerel havia observado pela primeira vez em 1896. Começou a trabalhar neste problema durante a primavera de 1898, e antes do verão, Pierre tinha abandonado suas próprias pesquisas para ajudar a esposa.

Limitando seus estudos a um único mineral, por ter emitido os raios mais fortes, desenvolveram um método refinando e trabalhoso que lhes exigia que processassem toneladas do mineral para obter uma pequena amostra do material radioativo. Descobriram um elemento radioativo novo e o nomearam de polonium em honra a Polônia onde Marie havia nascido. Eles conseguiram identificar um elemento radioativo ainda mais forte que o polônio, que foi nomeado então de rádio. Embora tenham anunciado a descoberta para o mundo no dia 26 de dezembro de 1898, em 1902 puderam isolar bastante rádio para confirmar sua existência e assim Marie Curie ganhou seu doutorado (o primeiro premiado a uma mulher na Europa) e ambos os Curies em 1903 receberam o prêmio Nobel em física.

Com esta honra imediatamente veio a fama internacional, rompendo totalmente as vidas pessoais e profissionais dos dois cientistas durante algum tempo, e bastante dinheiro para aliviar alguns de seus fardos financeiros, já que haviam apoiado a pesquisa do rádio com o próprio dinheiro. Depois do nascimento da segunda filha, em dezembro de 1904, Marie reuniu o marido no laboratório, trazendo a notícia que o governo francês queria recompensar os Curie criando uma nova matéria de física em Sorbonne para Pierre e construindo um novo laboratório para ela.

Em 19 de abril de 1906 um trágico acidente separou o casal: Pierre, ao atravessar a Rua Dauphine, rumo à Sorbonne, foi colhido por uma carruagem. Marie, profundamente chocada, ocupou a cátedra deixada vaga pelo marido, e, sozinha, continuou sua grande obra científica. Era a primeira vez que uma mulher ocupava tal lugar na Sorbonne.




Abelardo ao conhecer a jovem Heloísa, ficou encantado com a sua beleza, e tentou aproximar-se dela, através do cônego Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa, oferecendo seus préstimos intelectuais à sua sobrinha. Fulbert, ansioso pelo desenvolvimento de Heloísa nas belas-artes, logo aceitou, hospedando-o em sua casa, em troca das aulas noturnas que ele lhe daria. Em pouco tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert, passaram a ficar a sós. Fulbert ia dormir e a criada retirava-se discretamente para o quarto ao lado. Abelardo é bem franco nessa passagem de sua vida: "(...) Que mais teria a acrescentar? Um mesmo teto nos reuniu, depois um mesmo coração. Sob o pretexto de estudar, entregávamo-nos inteiramente ao amor. (...) trocávamos mais beijos do que proposições sábias. Minhas mãos voltavam com mais freqüência a seus seios do que a nossos livros (...) Para melhor afastar as suspeitas, o amor me levava às vezes a bater nela (...)".

Em alguns meses, conheciam-se muito bem, e só tinham paz quando estavam juntos, os dois se amavam apaixonadamente. Abelardo passou a se desinteressar de tudo, só pensando em Heloísa, descuidando-se de suas obrigações como professor.

Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam ser reprimidos pelo intelecto. Não havia lugar para o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento dos dois, originando um intenso conflito para ambos. Uma carta de Abelardo dirigida a Heloisa foi encontrada por uma serva e entregue a Fulbert, que imediatamente o expulsou. No entanto isso não foi suficiente para separá-los pois, com a ajuda da criada Sibyle, continuaram se encontrando.

Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert acabou por descobrí-los. Heloísa foi espancada, e a casa passou a ser cuidadosamente vigiada. Mesmo assim o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram a se encontrar onde pudessem, em sacristias, confessionários e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia freqüentar sem acompanhantes a seu lado.

Heloísa acabou engravidando e para evitar escândalo, Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, situada no interior da França. Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados de sua irmã e voltou a Paris, mas não aguentou a solidão que sentia, longe de sua amada, e resolveu falar com Fulbert, para pedir seu perdão e a mão de Heloísa em casamento. Surpreendentemente, Fulbert o perdoou e concordou com o casamento.

Ao receber as boas novas, Heloísa, deixando a criança com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no entanto, um prenúncio de tragédia. Casaram-se no meio da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de Notre Dame, sem nem trocar alianças ou um beijo, de modo a que ninguém desconfiasse. O sigilo do casamento não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa e da educação que Fulbert dera a ela. Ofendido, Fulbert resolveu dar um fim àquilo tudo. Contratou dois carrascos para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite e castrá-lo. Após essa tragédia, Abelardo e Heloísa jamais voltaram a se falar.

Ela ingressou no convento de Santa Maria de Argenteuil, em profundo estado de depressão, só retornando à vida aos poucos, conforme as notícias de melhora de seu amado iam surgindo. Para tentar amenizar a dor que sentiam pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se exclusivamente ao trabalho.

Abelardo construiu uma escola-mosteiro ao lado da escola-convento de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam nunca. Apenas trocavam cartas apaixonadas.

Com a morte de Abelardo aos 63 anos, Heloísa ergueu um grande sepulcro em sua homenagem, e faleceu algum tempo depois, sendo, por iniciativa de suas alunas, sepultada ao lado dele. Conta-se que, ao abrirem a sepultura de Abelardo, para ali depositarem Heloísa, encontraram seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se estivesse aguardando a chegada de Heloísa.




Foi desde criança que Dante Alighieri descobriu o amor por Beatrice Portinari (Beatriz), sua fonte de inspiração. Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos que comprovem o quer que seja. É difícil interpretar no que consistiu essa paixão mas, é certo, foi de muita importância para a cultura italiana. Foi sob o sígno desse amor que Dante deixou a sua marca profunda em toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas e escritores que lhe seguiram para desenvolverem o tema do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado. O amor por Beatriz aparece como justificativa da poesia e da própria vida, quase confundindo-se com as paixões políticas, igualmente importantes para Dante.

Mais hábeis no convívio social, os pais do poeta arranjaram-lhe, quando este completou 12 anos, um casamento com a nobre Gemma Donati, cuja família foi capaz de oferecer um ótimo dote. O matrimônio concretizou-se aos 18 anos, mas a moça não chegou, jamais, a ocupar o coração de Dante, a julgar, ao menos, pelas obras do escritor, nas quais nem ela, nem os quatro filhos do casal são mencionados.

O autor prosseguiu seus estudos, aprofundando-se em Filosofia e Teologia. Ao iniciar seus escritos, foi apresentado pelo poeta Brunetto Latini aos textos clássicos, bem como à forma de escrever que surgia naquele momento, o dolce stil nuovo (doce estilo novo).Tornou-se adepto desse estilo, caracterizado pela exaltação do amor e por uma estrutura rigorosa de composição dos versos.

Em 1290, Beatriz faleceu. A dor da perda paralisou a vida do poeta, que se isolou até 1292. Nesse ano, estimulado pelos amigos, voltou a escrever e publicou "Vita Nuova", uma coletânea de poemas sobre seu amor pela musa falecida.

A "Divina Comédia" é um poema que narra uma viagem de Dante pelo Inferno, Purgatório, e Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Ele, como personagem da história, é guiado primeiramente pelo poeta romano Virgílio, através do Inferno e do Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada Beatriz, musa em várias de suas obras (com quem, presumem muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto, talvez, de uma a três vezes).




O livro a "Dama das Camélias", que fez chorar várias gerações, resiste aos embates do tempo porque se inspirou num fato real protagonizado por seu autor, Alexandre Dumas Filho.

Filho natural do grande escritor, o lido novelista dos "Três Mosqueteiros" e tantas outras obras, Alexandre Dumas, aos 25 anos sentia-se meio dono do mundo ou pelo menos de Paris. Fizera algumas tentativas literárias que de tais não passaram e a sua maior ocupação era perseguir as mulheres cujo interesse não tardava em despertar, pelo seu físico privilegiado e os olhos intensamente negros.

No ano de 1844, Dumas chegou ao teatro de "Variétés", que oferecia números de pouca seriedade, em companhia de alguns amigos dispostos a festejar a habilidade dos cômicos. Ao entrar, o cenário lhe tornou coisa secundária. Ficara extasiado na contemplação de uma mulher que ocupava um dos camarotes. Procurou saber mais sobre ela e durante o tempo que faltava para concluir a sessão, Dumas não tirou os olhos da jovem. Chamava-lhe a atenção o perfil gracioso, quase aéreo, que lhe dava a impressão de extrema fragilidade. O nome dela era Maria Duplessis e diziam que havia sido trazida a Paris por um irlandês, que evidentemente entendia de mulheres. Dumas ficou interessado em vê-la e soube, através de um jovem que se aproximou da mesa, que poderia encontrá-la no "Bois de Boulogne", onde passeava, e que seu coche era um dos mais formosos, forrado de cetim vermelho.

Alexandre não precisou de mais dados para tentar a conquista. Nem mais estrondoso pôde ser o êxito que obteve. Pouco tempo depois, Maria Duplessis mudava de apartamento e deixava os passeios de coche pelas douradas alamedas do bosque aristocrático.

Dumas a envolvera com sua paixão. Era cruel, ardente, contraditório, terno e injusto. Maria ficara maravilhada em face daquele homem que tinha do amor uma concepção absoluta e ardente. Assim é que, nos primeiros tempos da união, foi imensamente feliz. Entretanto, algo lhe faltava na companhia de Dumas. Maria Duplessis provinha dos obscuros ateliês de costura, das lojas de fruta, e das rudes labutas do campo. Percorria na vida um caminho áspero, intransitado, estreito, em busca de alguma coisa que lhe vivia misteriosamente no sangue: ânsia de luxo, jóias, brilho, luzes deslumbrantes. Dumas, porém, não lhe podia dar o que procurava. Daí nasceram o drama e o conflito.

Descobrindo presentes recebidos por sua amada, Dumas se revolvia, furiosamente, num mundo de suspeitas, desconfiando que Maria o enganava. Começaram as discussões, que geralmente se resolviam com beijos apaixonados, juramentos, ameaças e carícias. Passaram a viver num clima instável de ciúmes: ela, procurando manter seu amor e sua vida de esplendor, mesmo à custa de infidelidades e Dumas tentando afogar aquela paixão que o humilhava.

A tempestade durou um ano, tempestade de amor em que o respeito sucumbiu esmigalhado ante a ânsia de posse absoluta que animava Alexandre. Por outro lado, Maria, em sua insaciável sede de luxo, comprometia de maneira perigosa a saúde. Nervosa, sem dormir, as entrevistas com os amigos, as rixas, as efusões amorosas a que se entregava, acabaram por lhe minar o organismo. Nesse interim, as coisas tinham chegado ao extremo. E, certa noite, a mais triste e dolorosa de todas, Alexandre Dumas foi visitá-la e decidiu partir. Ela não conseguia acreditar, tinha se acostumado a considerá-lo como seu, como essência de sua vida. Foram inúteis os choros e súplicas. Mesmo dizendo que o amava e que morreria sem ele, não conseguiu comovê-lo. Dumas, cego pelo ciúme, foi para a Espanha a procura do esquecimento.

Maria por várias vezes foi ver amigos à procura de um endereço. Suas cartas, porém, não obtiveram resposta. Todos os caminhos começaram a fechar-se diante dela. Tinha, então, 22 anos apenas. Nessas circunstâncias, concordou em casar-se com o conde de Perragaux mas, dentro do coração, aumentada pela distância e o tempo, a angústia e a saudade de Dumas eram cada vez maiores.

Na decadência, perdeu tudo. E assim, aquela que nos tempos de esplendor havia brincado com a honra e fortuna dos homens, encontrou-se isolada, abandonada pelo próprio esposo, doente dos pulmões e sem ter notícias do homem que amava.

Com o que lhe restava das suas jóias Maria Duplessis conseguiu o necessário para comprar os últimos remédios. Dizem que o seu féretro percorreu o último caminho escoltado por um cortejo de homens notáveis. O ataúde estava coberto de camélias, a flor que lhe foi como um símbolo na agitada existência. Dumas não chegou a tempo de despedir-se dela e os que a assistiram nos instantes finais afirmaram que Maria morreu com o nome de Dumas nos lábios. Só por terceiros Dumas conseguiu inteirar-se da vida que Maria tinha levado em sua ausência. Teve testemunhos de seu carinho até o momento derradeiro e então, dominado pelo remorso, pôs-se a escrever, febrilmente, o seu livro: a "Dama das Camélias", em que reivindica a memória de Maria Duplessis sob o nome de Margarida Gauthier.

O êxito dessa obra, que abrangeu a novela, o teatro e mais tarde o cinema, funda-se justamente no fato de que, por trás do nome fictício de Margarida Gauthier, vive o espírito de Maria Duplessis, a cortesã devorada pela áurea sede do luxo e que, no fundo, não passava de uma criatura desprevenida, débil e carinhosa.


Fontes:
http://www.jh-hp.hpg.ig.com.br/mc.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque/ilustrada50lista.htm
http://www.bravissimo.

Sonhado por Marcia, 01:15

Sonharam:




Sexta-feira, Setembro 17, 2004

Atendendo a uma sugestão da Shê vamos falar sobre aquele que, por sua atuação política e religiosa no Brasil e em Portugal e por sua influência na vida cultural e literária em outros países, é considerado um dos homens mais extraordinários do século XVII.


Ele viveu num período exuberante, de ânsia, de novidade, da preferência pelos contrastes, do gosto pelo teatral e da preferência pelo brilho: o Barroco. Um homem cuja inteligência vastíssima abrangia todos os assuntos e resplandecia em todos os campos. Lutou pelos direitos dos oprimidos através das palavras e empenhou-se em assegurar a conservação de um Portugal independente. Os seus sermões são variados, escreveu-os com caráter missionário, político, social, literário, diplomático...

Nascido em Portugal no dia 6 de fevereiro de 1608, o Padre António Vieira é um dos personagens mais importantes da história luso-brasileira. Foi missionário, pregador, diplomata, político, orador e escritor, destacando-se em todas essas atividades. Apesar de pertencer à tradição do pensamento português, é um caso singular da época barroca com sua curiosa mistura de idéias avançadíssimas, religiosidade medieval e messianismo. Aos seis anos veio com a família para o Brasil, onde estudou no colégio dos jesuítas na Bahia. Ingressou na Companhia de Jesus, sendo ordenado sacerdote em 1635 e, iniciando nessa altura, o seu trabalho como pregador.

Em 1641 Padre António Vieira foi designado para fazer parte da comitiva que vinha prestar a vassalagem da província do Brasil a D. João IV, conquistando desde logo grande prestígio junto da Coroa. A sua liberdade de pensamento, trouxe-lhe inúmeros problemas com a Inquisição. Uma das lutas fundamentais por que se bateu foi contra a escravatura e contra a sede de ambição e domínio dos colonos do Brasil, defendendo também uma política fundada no poder econômico da burguesia mercantil. O rei encarregou-o de várias missões diplomáticas na Holanda, França e Itália em defesa da restauração da independência portuguesa e, em 1644, nomeou-o pregador régio. Desempenhou importantes funções de embaixador diplomático em Paris, Haia, Londres e Roma, nomeadamente na consolidação da restauração da independência de Portugal.

"Nesta máquina do mundo, entrando também nela os céus, as estrelas têm seu curso ordenado que não pervertem; o sol tem seus limites e trópicos fora dos quais não passa; o mar, com ser um monstro indômito, em chegando às areias, pára; as árvores, onde as põem não se mudam; os peixes contentam-se com o mar, as aves com o ar; os outros animais com a terra. Pelo contrário o homem, monstro e quimera de todos os elementos, em nenhum lugar pára, com nenhuma fortuna se contenta, nenhuma ambição, nem apetite o farta; tudo perturba, tudo perverte, tudo excede, tudo confunde, e como é maior que o mundo não cabe nele."

Nos seus sermões, o Padre Vieira aplicou à sociedade de então, com exigência e grande coragem, os princípios do Evangelho e não se cansou de exortar os portugueses a perseverarem na luta contra o domínio estrangeiro. Face à difícil situação econômica do País, empenhou-se em defender os judeus e cristãos novos cujas capacidades e recursos queria empregar no desenvolvimento de Portugal. Por sua iniciativa, foi criada, em 1649, a Companhia Geral do Comércio do Brasil com o capital dos cristãos novos, isento de confiscação.

Em 1652, regressou ao Brasil onde desenvolveu uma intensa atividade missionária no Maranhão e Pará. O seu empenho em favor da liberdade dos índios valeu-lhe o apelido de Paiaçu, isto é, "Pai Grande" mas, ao mesmo tempo, trouxe-lhe a oposição violenta dos colonos portugueses. Resolveu, então, ir informar pessoalmente o rei e embarcou para Lisboa, a 14 de Junho de 1654. Na véspera, festa de Sto. Antonio, pregou em São Luís do Maranhão, o célebre "Sermão aos peixes", em que denunciou os cativeiros injustos dos índios.

Em Lisboa, foi bem acolhido na corte e regressou ao Brasil com uma lei tão favorável aos índios que provocou a ira dos colonos que o obrigaram a regressar à Europa, em 1661. Nessa estada em Portugal, viu-se perseguido pela Inquisição que o manteve sob custódia, em Coimbra, durante dois anos, submetendo-o a um processo em que foi acusado de judaísmo e erros contra a fé. Em sua defesa, apresentou vários escritos em que expunha os princípios da sua doutrina milenarista.

"É necessário tomar o bárbaro à parte e instar com ele muito só por só, e muitas horas, e muitos dias; é necessário trabalhar com os dedos, escrevendo, apontando, e interpretando por acenos o que não se pode alcançar das palavras; é necessário trabalhar com a língua, dobrando-a, e torcendo-a, e dando-lhe mil voltas para que chegue a pronunciar os acentos tão duros e tão estranhos; é necessário levantar os olhos ao céu uma e muitas vezes com a oração, e outras quase com desesperação; é necessário, finalmente, gemer, e gemer com toda a alma: gemer com o entendimento, porque em tanta escuridade não vê saída; gemer com a memória, porque em tanta variedade não acha firmeza; e gemer com a vontade, por constante que seja, porque no aperto de tantas dificuldades desfalece e quase desmaia."

Livre do processo inquisitorial, partiu, em 1669, para Roma onde a fama de orador o levou a ser nomeado pregador da rainha Cristina da Suécia. Ainda na Itália, conseguiu do papa Clemente X um breve que o isentava da jurisdição da Inquisição portuguesa.

Regressando a Portugal em 1675, começou a preparar os seus sermões para a imprensa, trabalho que prosseguiu no Brasil, a partir de 1681. A obra de Vieira se divide entre as profecias ("Histórias do futuro", "Esperanças de Portugal", e "Clavis Prophetarum", obra em latim que deixou inacabada e em que apresenta desenvolvidamente as suas concepções milenaristas e messiânicas), as "Cartas" (mais de quinhentas, nas quais Vieira comenta os sucessos políticos da época, especialmente o relacionamento entre Portugal e Holanda, a Inquisição, os Cristãos Novos, e a situação do Brasil), e finalmente os "Sermões", pregados durante toda sua vida tanto em Portugal como no Brasil.

Os Sermões, peças ímpares da prosa barroca portuguesa, aliam a grande capacidade de análise racional, de bom senso, clarividência, aliado a um misticismo profético. Neles encontramos uma grande crônica da história imediata (Padre Vieira jamais se absteve das grandes questões cotidianas e políticas do seu século), mas nos deparamos também com uma atormentada ânsia da eternidade, que só a religião parece atender. A edição mais completa das suas obras é de 1854-1858, compreende 26 volumes, contendo cerca de 200 sermões e vários ensaios de caráter social, político e literário.

Padre António Vieira faleceu em 18 de julho de 1697, aos 89 anos, na Bahia.

"O homem em qualquer estado que esteja, é certo que foi pó e há de tornar a ser pó. Foi pó e há de se tornar pó? Logo é pó. Porque tudo o que vive nesta vida, não é o que é, é o que foi, é o que há de ser."


Fontes:
http://www.arqnet.pt/dicionario/vieira_antoniop.html
http://www.espacoacademico.com.br/036/36ebueno.htm

Sonhado por Marcia, 00:10
Sonharam:




Quarta-feira, Setembro 08, 2004




Meu primeiro contato com essa escritora foi através do blog da Lique, uma amiga de Portugal. Logo que li seu poema senti vontade de conhecer mais a sua obra e trazê-la para este espaço. Sua poesia é de grande simplicidade e se distingue por um tom profundamente intimista, feito de palavras para repetir em voz baixa, segredadas em confidências cujos destinatários se pressentem a cada instante, através de pequenos sinais dispersos pelo tempo e pelo espaço das memórias que um dia lhes deram plena substância, e cujo fulgor persiste sempre, como uma cicatriz que ainda pode doer quando lhe tocamos.



"Entre nós há uma ferida que já não sangra, mas não sara - um amor que perdura e está perdido."

Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade Clássica de Lisboa (1981). Foi também professora de Português e Francês (durante cinco anos), atividade que a influenciou decisivamente no sentido de assumir uma escrita para um público jovem. Possui ainda o curso de Línguas e Cultura do Instituto Italiano de Cultura em Portugal.

Neste outono



Neste outono, as pedras agasalham-se no cobertor
do musgo; e o barro bebe a água; e o vento viaja rente
aos muros. Mas eu, sem ti, deito-me gelada sobre a cama
e digo palavras que queimam a boca por dentro ― amor,

saudade, o teu nome e os nomes das coisas que tocaste
(e sobre as quais deixo crescer o pó, para que os dias
não se decalquem sempre de outros dias). Fecho os olhos

depois sobre a almofada e vejo o rosto branco da casa
desenhar-se à medida da tua ausência: as janelas abrem-se
para a solidão dos becos e há um farrapo de luz sobre a porta
a que ninguém virá bater. Pergunto-me onde anda a tua
sombra quando aqui não estás. E tenho medo. São estes

os solavancos de uma ida pequena ― bordar uma toalha
para logo a manchar de vinho, sentir a ferida na distância
do punhal, viver à espera de uma dor que há de chegar.


Como escritora, tem publicados vários trabalhos de ficção, poesias, ensaios, crônicas e literatura juvenil, procurando neste último gênero a transmissão de valores humanos e culturais. O seu romance "Alguns Homens, Duas Mulheres e Eu" constrói-se na vertigem de uma identidade perdida. Enquanto poeta publicou "A Casa e o Cheiro dos Livros" (1996), que institui a casa como o lugar feminino que acumula esperas, o cheiro dos livros, os restos do amor, os gatos que aí se resguardam da chuva. Para Maria do Rosário, já distinguida com alguns prêmios literários, a casa pode ser considerada como um mundo onde se encerra tudo aquilo que vai perdurando, mesmo que sob a forma da memória, nostalgicamente...é uma poesia do abandono e da ternura. É, no essencial, um livro de interiores; de interiores das casas, como o próprio título sugere, mas também do interior de cada um no processo amoroso. Com mais propriedade, é apenas o "eu" que fala, e só dele temos notícias, até porque o "outro" partiu, está de partida, há de partir mais tarde ou mais cedo. A dor, se existe, corresponde não à separação provisória mutuamente dolorosa, mas à ruptura sentida como trágica apenas por uma das partes, a mulher. Nestes poemas, estão presentes os sinais do fim, que ao mesmo tempo são marcas de lembranças: a cama desfeita, retratos, livros interrompidos e perfumes. O cheiro dos livros é o cheiro do amado nos livros e em todos os objetos que ficaram para trás como testemunhas.

São horas de voltar




São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto

à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas, e ouço dizer que as aves
partem sempre assim, subitamente. Outras virão

em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.


Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi



Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre ― a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o

serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos ― dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde esconde
os mais escondidos medos e anseios.

Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez o que queria.

Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã ― as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.


Em "O Canto do Vento nos Ciprestes" (2001), os poemas dão voz à mulher antes, depois ou para além do amor, mas nunca no momento amoroso propriamente dito. Não é de qualquer amor que se fala, mas de um amor concreto, de um amor único que nada tem a ver com os outros amores, meramente carnais. É nesse contexto que surge a morte, de tal modo presente que a autora já confessou que alguns leitores confundiram os poemas com elegias; na verdade, se em meia-dúzia de poemas há a presença da doença e da morte reais de um terceiro, a morte aparece quase sempre não exatamente como uma metáfora mas como uma exasperação do sentimento amoroso; é mesmo esse o grande tema do livro, sendo que a certa altura se afirma. É também uma poesia de ternura: o erotismo aqui não tem autonomia, e se a expressão "fazer amor" é recorrente é porque em si mesma transporta um sentido de complemento face ao sentimento amoroso. Nesta obra, marcada pela experiência da solidão e do abandono, o criador descobre-se na sua fragilidade, sustentando-se numa ausência que é permanentemente reavivada e atenuada pela rememoração poética.

Dorme, meu amor



Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega ― o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor ―

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres, mas nada temas; as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me ― eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega ― a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei no caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos ― a noite é um poema
que conheço de cor e vou contar-to até adormeceres.


Vieste como um barco carregado de vento



Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.


Em seu outro livro, "Nenhum Nome Depois" (2004), exprime-se uma forma de afetividade desmesurada perante a impossibilidade de fruição do amor como "sensação de tudo". É na verdade de uma magnífica enunciação dos afetos, do viver e do morrer, do silenciar e do gritar, do sorrir e do chorar, do amar e do perder, que estes poemas nos falam. Tudo porque, dizer, lembrar, nomear, é bem melhor do que proibir, guardar, esconder, sobretudo porque "a vida nunca foi só Inverno/nunca foi só bruma e desamparo". O livro constitui-se com um quarteto, dividido em "Os Nomes Inúteis", "Os Nomes Interditos", "Os Nomes de Família" e "Nenhum Nome Depois". Um nome ou uma voz podem expressar-se em diferentes tempos e espaços, mas nesta obra dir-se-iam a causa de uma (im)permanência, a da sua significação, a de uma queda que não é contorno ou substância, mas função de uma existência do sujeito poético abalado pela catástrofe. Menos contido do que as obras anteriores, este conjunto de poemas persiste em revelar a autora como um nome relevante da sua geração. A escrita de Maria do Rosário Pedreira aproxima-nos de uma fragilidade emergente perante a instabilidade do Eu. Nessa revolução súbita com a qual o sujeito poético se confronta, vai reconstruindo o mundo. O amor, neste livro, revela-se como desejo e mal. Até que a voragem do vento o apague no cansaço da dor.



Fontes:
http://www.geocities.com/arlindo_correia/Maria_do_Rosario_Pedreira.html
http://insensatezz.no.sapo.pt/palavras/mr_pedreira.htm

Sonhado por Marcia, 22:24
Sonharam:


:: Sonhando I ::
Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...
Mário Quintana

:: :: :: ::

:: Sonhando II ::
Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.

Affonso Romano de Sant'Anna

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