Quarta-feira,
Setembro 29, 2004
Sonhado por Marcia, 15:30
Sonharam:

A frase surgiu em uma conversa e acabou
virando tema de post. O alcance dela é amplo e cada
pessoa terá a sua visão sobre esse amor. Aproveitando
o clima primaveril, trechos de alguns poemas de Vinícius
de Moraes e a minha visão sobre o tema, vamos falar
então de alguns grandes encontros amorosos, ocorridos
na vida real ou nas histórias da literatura.
Em 1837 a primeira impressão que Frederic Chopin teve
quando encontrou a escritora Aurore Dupin, mais conhecida
pelo pseudônimo masculino que usava para assinar seus
livros, George Sand, foi desfavorável: " Como é antipática
essa Sand! Será mesmo uma mulher? Estou começando a
duvidar." Para Chopin, sempre tão educado e polido,
os modos de George Sand eram horríveis: vestia roupas
de homem, fumava charutos, chamava os desconhecidos
por " tu", era separada do marido e desafiava
os padrões da moral vitoriana; tinha idéias socialistas.
Era ela que estava interessada: fazia convites e mandava
bilhetes para o músico.
 A
escritora se apaixonou imediatamente por aquele " pobre
anjo muito triste", seis anos mais jovem que ela,
carente de cuidados, doente, desamparado.... Propôs-lhe
viverem juntos. Apesar de ter evitado isso por muito
tempo, em 1838 os argumentos de George Sand contra os
escrúpulos morais de Chopin, que considerava ingênuos,
acabaram por surtir efeito.
George Sand se preocupou, em primeiro lugar, com a precária
saúde do pianista. Queria tratar do amante, viver com
ele e, ao mesmo tempo, desejava afastar-se de seu ex-marido
e seus amantes anteriores. Viajaram para a ilha de Maiorca,
no litoral da Espanha, e passaram uma temporada em uma
casa simples, até que Chopin piorou. Rumores de que
estava tuberculoso levaram o proprietário da casa a
mandá-los embora. Procuraram refúgio em um convento
abandonado, em Valdemosa, nas montanhas da ilha. Aí
George Sand inspirou-se para escrever sua novela " Espiridião"
e Chopin concluiu seus 24 Prelúdios, o " Scherzo em
Dó sustenido menor" e a " Polonaise em Dó menor".
De volta a Paris, com Chopin recuperado da saúde, alugaram
dois apartamentos próximos um do outro, de modo a possibilitar
seus encontros, sem provocar mexericos. Suas apresentações
como pianista ficaram raras: " Não tenho temperamento
para dar concertos: o público intimida-me, sinto-me
asfixiado pela impaciência, paralisado pelos seus olhares
curiosos, mudo perante essas fisionomias desconhecidas",
escreveu a seu amigo Liszt.
De tempos em tempos a saúde de Chopin piorava. Sand
mostrava-se cada vez mais maternal. O convívio com um
ser tão sensível, doente, e, por vezes caprichoso não
era fácil para a paciente Sand. Toda complicação vinha
de que ele ainda a amava com verdadeiro amor, ao passo
que ela há muito tempo só sentia afeição. Quando não
estava com ele, era de trato difícil. Escrevia a uns
e outros, recomendando-lhes uma vigilância discreta.
Que não se esquecesse de tomar seu chocolate pela manhã,
seu caldo às dez horas. Que o obrigassem a cuidar-se,
a não sair sem agasalho...
No entanto, com o tempo, o caráter de Chopin tornou-se
insuportável. A relação entre os dois começou, pouco
a pouco a se deteriorar. Suspeitando de que a amante
o traía com outro homem, Chopin tornou-se cada vez mais
petulante, mal humorado e desagradável. A esse quadro
negativo, acrescentaram-se problemas domésticos e brigas
por causa dos filhos de George Sand. No verão de 1847,
os dois resolveram se separar.
Na madrugada de 17 de outubro de 1849, faleceu Frédéric
François Chopin.
Homem esquivo, Pierre Curie vivia exclusivamente em
função da física, dedicando à pesquisa todo o seu tempo.
Essa situação mudou, porém, quando conheceu uma jovem
polonesa, Marja Sklodowska, que, em 1891, com apenas
24 anos, havia deixado Varsóvia, sua cidade natal, e
procurado em Paris um clima mais compatível com sua
inteligência e seus ideais científicos. Apesar de uma
série de fatores adversos que tivera de enfrentar, matriculara-se
na Sorbonne.
 Entre
Pierre e Marja (Marie), as afinidades eram perfeitas,
tanto sob o aspecto social, como do ponto de vista científico.
Marie, ao lado do homem, via também um físico eminente
a quem poderia pedir opinião. Pierre, por sua vez, reconhecia
a inteligência de Sklodowska, seu raciocínio rigoroso
e principalmente, uma acentuada vocação para a pesquisa.
Pierre já havia conquistado certo renome científico,
tanto na França como no exterior e Marie era apenas
uma estudante de física e matemática. Mas, entre os
dois, desenvolveu-se uma amizade profunda, consolidada
um ano depois com o casamento.
Eles eram inseparáveis, trabalhavam lado a lado no laboratório
durante o dia e estudavam juntos pela noite. Até mesmo
a chegada da filha deles, em 1897, pouco interrompia
suas rotinas. Porém, antes do nascimento de sua filha,
Marie decidira procurar seu doutorado em física, e para
sua tese escolheu focalizar na fonte dos raios misteriosos
emitido por urânio, um fenômeno que o cientista Henri
Becquerel havia observado pela primeira vez em 1896.
Começou a trabalhar neste problema durante a primavera
de 1898, e antes do verão, Pierre tinha abandonado suas
próprias pesquisas para ajudar a esposa.
Limitando seus estudos a um único mineral, por ter emitido
os raios mais fortes, desenvolveram um método refinando
e trabalhoso que lhes exigia que processassem toneladas
do mineral para obter uma pequena amostra do material
radioativo. Descobriram um elemento radioativo novo
e o nomearam de polonium em honra a Polônia onde Marie
havia nascido. Eles conseguiram identificar um elemento
radioativo ainda mais forte que o polônio, que foi nomeado
então de rádio. Embora tenham anunciado a descoberta
para o mundo no dia 26 de dezembro de 1898, em 1902
puderam isolar bastante rádio para confirmar sua existência
e assim Marie Curie ganhou seu doutorado (o primeiro
premiado a uma mulher na Europa) e ambos os Curies em
1903 receberam o prêmio Nobel em física.
Com esta honra imediatamente veio a fama internacional,
rompendo totalmente as vidas pessoais e profissionais
dos dois cientistas durante algum tempo, e bastante
dinheiro para aliviar alguns de seus fardos financeiros,
já que haviam apoiado a pesquisa do rádio com o próprio
dinheiro. Depois do nascimento da segunda filha, em
dezembro de 1904, Marie reuniu o marido no laboratório,
trazendo a notícia que o governo francês queria recompensar
os Curie criando uma nova matéria de física em Sorbonne
para Pierre e construindo um novo laboratório para ela.
Em 19 de abril de 1906 um trágico acidente separou o
casal: Pierre, ao atravessar a Rua Dauphine, rumo à
Sorbonne, foi colhido por uma carruagem. Marie, profundamente
chocada, ocupou a cátedra deixada vaga pelo marido,
e, sozinha, continuou sua grande obra científica. Era
a primeira vez que uma mulher ocupava tal lugar na Sorbonne.
Abelardo ao conhecer a jovem Heloísa, ficou encantado
com a sua beleza, e tentou aproximar-se dela, através
do cônego Fulbert de Notre Dame, tio e tutor de Heloísa,
oferecendo seus préstimos intelectuais à sua sobrinha.
Fulbert, ansioso pelo desenvolvimento de Heloísa nas
belas-artes, logo aceitou, hospedando-o em sua casa,
em troca das aulas noturnas que ele lhe daria. Em pouco
tempo essas aulas passaram a ser ansiosamente aguardadas
e, sem demora, contando com a confiança de Fulbert,
passaram a ficar a sós. Fulbert ia dormir e a criada
retirava-se discretamente para o quarto ao lado. Abelardo
é bem franco nessa passagem de sua vida: "(...) Que
mais teria a acrescentar? Um mesmo teto nos reuniu,
depois um mesmo coração. Sob o pretexto de estudar,
entregávamo-nos inteiramente ao amor. (...) trocávamos
mais beijos do que proposições sábias. Minhas mãos voltavam
com mais freqüência a seus seios do que a nossos livros
(...) Para melhor afastar as suspeitas, o amor me levava
às vezes a bater nela (...)".
 Em
alguns meses, conheciam-se muito bem, e só tinham paz
quando estavam juntos, os dois se amavam apaixonadamente.
Abelardo passou a se desinteressar de tudo, só pensando
em Heloísa, descuidando-se de suas obrigações como professor.
Os problemas começaram a surgir. Primeiro, esse amor
começou a esbarrar nos conceitos da época, quando os
intelectuais, como Heloísa e Abelardo, racionalizavam
o amor, acreditando que os impulsos sensuais deveriam
ser reprimidos pelo intelecto. Não havia lugar para
o desejo, que era um componente muito forte no relacionamento
dos dois, originando um intenso conflito para ambos.
Uma carta de Abelardo dirigida a Heloisa foi encontrada
por uma serva e entregue a Fulbert, que imediatamente
o expulsou. No entanto isso não foi suficiente para
separá-los pois, com a ajuda da criada Sibyle, continuaram
se encontrando.
Uma noite, porém, alertado por outra criada, Fulbert
acabou por descobrí-los. Heloísa foi espancada, e a
casa passou a ser cuidadosamente vigiada. Mesmo assim
o amor de Abelardo e Heloísa não diminuiu, e eles passaram
a se encontrar onde pudessem, em sacristias, confessionários
e catedrais, os únicos lugares que Heloísa podia freqüentar
sem acompanhantes a seu lado.
Heloísa acabou engravidando e para evitar escândalo,
Abelardo levou-a à aldeia de Pallet, situada no interior
da França. Ali, Abelardo deixou Heloísa aos cuidados
de sua irmã e voltou a Paris, mas não aguentou a solidão
que sentia, longe de sua amada, e resolveu falar com
Fulbert, para pedir seu perdão e a mão de Heloísa em
casamento. Surpreendentemente, Fulbert o perdoou e concordou
com o casamento.
Ao receber as boas novas, Heloísa, deixando a criança
com a irmã de Abelardo, voltou a Paris, sentindo, no
entanto, um prenúncio de tragédia. Casaram-se no meio
da noite, às pressas, numa pequena ala da Catedral de
Notre Dame, sem nem trocar alianças ou um beijo, de
modo a que ninguém desconfiasse. O sigilo do casamento
não durou muito, e logo começaram a zombar de Heloísa
e da educação que Fulbert dera a ela. Ofendido, Fulbert
resolveu dar um fim àquilo tudo. Contratou dois carrascos
para invadirem o quarto de Abelardo durante a noite
e castrá-lo. Após essa tragédia, Abelardo e Heloísa
jamais voltaram a se falar.
Ela ingressou no convento de Santa Maria de Argenteuil,
em profundo estado de depressão, só retornando à vida
aos poucos, conforme as notícias de melhora de seu amado
iam surgindo. Para tentar amenizar a dor que sentiam
pela falta um do outro, ambos passaram a dedicar-se
exclusivamente ao trabalho.
Abelardo construiu uma escola-mosteiro ao lado da escola-convento
de Heloísa. Viam-se diariamente, mas não se falavam
nunca. Apenas trocavam cartas apaixonadas.
Com a morte de Abelardo aos 63 anos, Heloísa ergueu
um grande sepulcro em sua homenagem, e faleceu algum
tempo depois, sendo, por iniciativa de suas alunas,
sepultada ao lado dele. Conta-se que, ao abrirem a sepultura
de Abelardo, para ali depositarem Heloísa, encontraram
seu corpo ainda intacto e de braços abertos, como se
estivesse aguardando a chegada de Heloísa.

Foi desde criança que Dante Alighieri descobriu o amor
por Beatrice Portinari (Beatriz), sua fonte de inspiração.
Há quem diga, no entanto, que Dante a viu uma única
vez, nunca tendo falado com ela. Não há elementos biográficos
que comprovem o quer que seja. É difícil interpretar
no que consistiu essa paixão mas, é certo, foi de muita
importância para a cultura italiana. Foi sob o sígno
desse amor que Dante deixou a sua marca profunda em
toda a poesia lírica italiana, abrindo caminho aos poetas
e escritores que lhe seguiram para desenvolverem o tema
do Amor (Amore) que, até então, não tinha sido tão enfatizado.
O amor por Beatriz aparece como justificativa da poesia
e da própria vida, quase confundindo-se com as paixões
políticas, igualmente importantes para Dante.
 Mais
hábeis no convívio social, os pais do poeta arranjaram-lhe,
quando este completou 12 anos, um casamento com a nobre
Gemma Donati, cuja família foi capaz de oferecer um
ótimo dote. O matrimônio concretizou-se aos 18 anos,
mas a moça não chegou, jamais, a ocupar o coração de
Dante, a julgar, ao menos, pelas obras do escritor,
nas quais nem ela, nem os quatro filhos do casal são
mencionados.
O autor prosseguiu seus estudos, aprofundando-se em
Filosofia e Teologia. Ao iniciar seus escritos, foi
apresentado pelo poeta Brunetto Latini aos textos clássicos,
bem como à forma de escrever que surgia naquele momento,
o dolce stil nuovo (doce estilo novo).Tornou-se adepto
desse estilo, caracterizado pela exaltação do amor e
por uma estrutura rigorosa de composição dos versos.
Em 1290, Beatriz faleceu. A dor da perda paralisou a
vida do poeta, que se isolou até 1292. Nesse ano, estimulado
pelos amigos, voltou a escrever e publicou " Vita
Nuova", uma coletânea de poemas sobre seu amor pela
musa falecida.
A " Divina Comédia" é um poema que narra uma viagem
de Dante pelo Inferno, Purgatório, e Paraíso, descrevendo
cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Ele,
como personagem da história, é guiado primeiramente
pelo poeta romano Virgílio, através do Inferno e do
Purgatório e, depois, no Paraíso, pela mão da sua amada
Beatriz, musa em várias de suas obras (com quem, presumem
muitos autores, nunca tenha falado e, apenas visto,
talvez, de uma a três vezes).
O livro a "Dama das Camélias", que fez chorar
várias gerações, resiste aos embates do tempo porque
se inspirou num fato real protagonizado por seu autor,
Alexandre Dumas Filho.
Filho natural do grande escritor, o lido novelista dos
" Três Mosqueteiros" e tantas outras obras, Alexandre
Dumas, aos 25 anos sentia-se meio dono do mundo ou pelo
menos de Paris. Fizera algumas tentativas literárias
que de tais não passaram e a sua maior ocupação era
perseguir as mulheres cujo interesse não tardava em
despertar, pelo seu físico privilegiado e os olhos intensamente
negros.
 No
ano de 1844, Dumas chegou ao teatro de " Variétés",
que oferecia números de pouca seriedade, em companhia
de alguns amigos dispostos a festejar a habilidade dos
cômicos. Ao entrar, o cenário lhe tornou coisa secundária.
Ficara extasiado na contemplação de uma mulher que ocupava
um dos camarotes. Procurou saber mais sobre ela e durante
o tempo que faltava para concluir a sessão, Dumas não
tirou os olhos da jovem. Chamava-lhe a atenção o perfil
gracioso, quase aéreo, que lhe dava a impressão de extrema
fragilidade. O nome dela era Maria Duplessis e diziam
que havia sido trazida a Paris por um irlandês, que
evidentemente entendia de mulheres. Dumas ficou interessado
em vê-la e soube, através de um jovem que se aproximou
da mesa, que poderia encontrá-la no "Bois de Boulogne",
onde passeava, e que seu coche era um dos mais formosos,
forrado de cetim vermelho.
Alexandre não precisou de mais dados para tentar a conquista.
Nem mais estrondoso pôde ser o êxito que obteve. Pouco
tempo depois, Maria Duplessis mudava de apartamento
e deixava os passeios de coche pelas douradas alamedas
do bosque aristocrático.
Dumas a envolvera com sua paixão. Era cruel, ardente,
contraditório, terno e injusto. Maria ficara maravilhada
em face daquele homem que tinha do amor uma concepção
absoluta e ardente. Assim é que, nos primeiros tempos
da união, foi imensamente feliz. Entretanto, algo lhe
faltava na companhia de Dumas. Maria Duplessis provinha
dos obscuros ateliês de costura, das lojas de fruta,
e das rudes labutas do campo. Percorria na vida um caminho
áspero, intransitado, estreito, em busca de alguma coisa
que lhe vivia misteriosamente no sangue: ânsia de luxo,
jóias, brilho, luzes deslumbrantes. Dumas, porém, não
lhe podia dar o que procurava. Daí nasceram o drama
e o conflito.
Descobrindo presentes recebidos por sua amada, Dumas
se revolvia, furiosamente, num mundo de suspeitas, desconfiando
que Maria o enganava. Começaram as discussões, que geralmente
se resolviam com beijos apaixonados, juramentos, ameaças
e carícias. Passaram a viver num clima instável de ciúmes:
ela, procurando manter seu amor e sua vida de esplendor,
mesmo à custa de infidelidades e Dumas tentando afogar
aquela paixão que o humilhava.
A tempestade durou um ano, tempestade de amor em que
o respeito sucumbiu esmigalhado ante a ânsia de posse
absoluta que animava Alexandre. Por outro lado, Maria,
em sua insaciável sede de luxo, comprometia de maneira
perigosa a saúde. Nervosa, sem dormir, as entrevistas
com os amigos, as rixas, as efusões amorosas a que se
entregava, acabaram por lhe minar o organismo. Nesse
interim, as coisas tinham chegado ao extremo. E, certa
noite, a mais triste e dolorosa de todas, Alexandre
Dumas foi visitá-la e decidiu partir. Ela não conseguia
acreditar, tinha se acostumado a considerá-lo como seu,
como essência de sua vida. Foram inúteis os choros e
súplicas. Mesmo dizendo que o amava e que morreria sem
ele, não conseguiu comovê-lo. Dumas, cego pelo ciúme,
foi para a Espanha a procura do esquecimento.
Maria por várias vezes foi ver amigos à procura de um
endereço. Suas cartas, porém, não obtiveram resposta.
Todos os caminhos começaram a fechar-se diante dela.
Tinha, então, 22 anos apenas. Nessas circunstâncias,
concordou em casar-se com o conde de Perragaux mas,
dentro do coração, aumentada pela distância e o tempo,
a angústia e a saudade de Dumas eram cada vez maiores.
Na decadência, perdeu tudo. E assim, aquela que nos
tempos de esplendor havia brincado com a honra e fortuna
dos homens, encontrou-se isolada, abandonada pelo próprio
esposo, doente dos pulmões e sem ter notícias do homem
que amava.
Com o que lhe restava das suas jóias Maria Duplessis
conseguiu o necessário para comprar os últimos remédios.
Dizem que o seu féretro percorreu o último caminho escoltado
por um cortejo de homens notáveis. O ataúde estava coberto
de camélias, a flor que lhe foi como um símbolo na agitada
existência. Dumas não chegou a tempo de despedir-se
dela e os que a assistiram nos instantes finais afirmaram
que Maria morreu com o nome de Dumas nos lábios. Só
por terceiros Dumas conseguiu inteirar-se da vida que
Maria tinha levado em sua ausência. Teve testemunhos
de seu carinho até o momento derradeiro e então, dominado
pelo remorso, pôs-se a escrever, febrilmente, o seu
livro: a "Dama das Camélias", em que reivindica a memória
de Maria Duplessis sob o nome de Margarida Gauthier.
O êxito dessa obra, que abrangeu a novela, o teatro
e mais tarde o cinema, funda-se justamente no fato de
que, por trás do nome fictício de Margarida Gauthier,
vive o espírito de Maria Duplessis, a cortesã devorada
pela áurea sede do luxo e que, no fundo, não passava
de uma criatura desprevenida, débil e carinhosa.

Fontes:
http://www.jh-hp.hpg.ig.com.br/mc.htm
http://www1.folha.uol.com.br/folha/almanaque/ilustrada50lista.htm
http://www.bravissimo.
Sonhado por Marcia, 01:15
Sonharam:
Sexta-feira, Setembro 17,
2004
Atendendo a uma sugestão da Shê
vamos falar sobre aquele que, por sua atuação política
e religiosa no Brasil e em Portugal e por sua influência
na vida cultural e literária em outros países, é considerado
um dos homens mais extraordinários do século XVII.
Ele viveu num período exuberante,
de ânsia, de novidade, da preferência pelos contrastes,
do gosto pelo teatral e da preferência pelo brilho:
o Barroco. Um homem cuja inteligência vastíssima abrangia
todos os assuntos e resplandecia em todos os campos.
Lutou pelos direitos dos oprimidos através das palavras
e empenhou-se em assegurar a conservação de um Portugal
independente. Os seus sermões são variados, escreveu-os
com caráter missionário, político, social, literário,
diplomático...
 Nascido
em Portugal no dia 6 de fevereiro de 1608, o Padre António
Vieira é um dos personagens mais importantes da história
luso-brasileira. Foi missionário, pregador, diplomata,
político, orador e escritor, destacando-se em todas
essas atividades. Apesar de pertencer à tradição do
pensamento português, é um caso singular da época barroca
com sua curiosa mistura de idéias avançadíssimas, religiosidade
medieval e messianismo. Aos seis anos veio com a família
para o Brasil, onde estudou no colégio dos jesuítas
na Bahia. Ingressou na Companhia de Jesus, sendo ordenado
sacerdote em 1635 e, iniciando nessa altura, o seu trabalho
como pregador.
Em 1641 Padre António Vieira foi designado para fazer
parte da comitiva que vinha prestar a vassalagem da
província do Brasil a D. João IV, conquistando desde
logo grande prestígio junto da Coroa. A sua liberdade
de pensamento, trouxe-lhe inúmeros problemas com a Inquisição.
Uma das lutas fundamentais por que se bateu foi contra
a escravatura e contra a sede de ambição e domínio dos
colonos do Brasil, defendendo também uma política fundada
no poder econômico da burguesia mercantil. O rei encarregou-o
de várias missões diplomáticas na Holanda, França e
Itália em defesa da restauração da independência portuguesa
e, em 1644, nomeou-o pregador régio. Desempenhou importantes
funções de embaixador diplomático em Paris, Haia, Londres
e Roma, nomeadamente na consolidação da restauração
da independência de Portugal.
"Nesta máquina do mundo, entrando também nela os
céus, as estrelas têm seu curso ordenado que não pervertem;
o sol tem seus limites e trópicos fora dos quais não
passa; o mar, com ser um monstro indômito, em chegando
às areias, pára; as árvores, onde as põem não se mudam;
os peixes contentam-se com o mar, as aves com o ar;
os outros animais com a terra. Pelo contrário o homem,
monstro e quimera de todos os elementos, em nenhum lugar
pára, com nenhuma fortuna se contenta, nenhuma ambição,
nem apetite o farta; tudo perturba, tudo perverte, tudo
excede, tudo confunde, e como é maior que o mundo não
cabe nele."
Nos seus sermões, o Padre Vieira aplicou à sociedade
de então, com exigência e grande coragem, os princípios
do Evangelho e não se cansou de exortar os portugueses
a perseverarem na luta contra o domínio estrangeiro.
Face à difícil situação econômica do País, empenhou-se
em defender os judeus e cristãos novos cujas capacidades
e recursos queria empregar no desenvolvimento de Portugal.
Por sua iniciativa, foi criada, em 1649, a Companhia
Geral do Comércio do Brasil com o capital dos cristãos
novos, isento de confiscação.
Em 1652, regressou ao Brasil onde
desenvolveu uma intensa atividade missionária no Maranhão
e Pará. O seu empenho em favor da liberdade dos índios
valeu-lhe o apelido de Paiaçu, isto é, " Pai Grande"
mas, ao mesmo tempo, trouxe-lhe a oposição violenta
dos colonos portugueses. Resolveu, então, ir informar
pessoalmente o rei e embarcou para Lisboa, a 14 de Junho
de 1654. Na véspera, festa de Sto. Antonio, pregou em
São Luís do Maranhão, o célebre " Sermão aos peixes",
em que denunciou os cativeiros injustos dos índios.
Em Lisboa, foi bem acolhido na corte e regressou ao
Brasil com uma lei tão favorável aos índios que provocou
a ira dos colonos que o obrigaram a regressar à Europa,
em 1661. Nessa estada em Portugal, viu-se perseguido
pela Inquisição que o manteve sob custódia, em Coimbra,
durante dois anos, submetendo-o a um processo em que
foi acusado de judaísmo e erros contra a fé. Em sua
defesa, apresentou vários escritos em que expunha os
princípios da sua doutrina milenarista.
"É
necessário tomar o bárbaro à parte e instar com ele
muito só por só, e muitas horas, e muitos dias; é necessário
trabalhar com os dedos, escrevendo, apontando, e interpretando
por acenos o que não se pode alcançar das palavras;
é necessário trabalhar com a língua, dobrando-a, e torcendo-a,
e dando-lhe mil voltas para que chegue a pronunciar
os acentos tão duros e tão estranhos; é necessário levantar
os olhos ao céu uma e muitas vezes com a oração, e outras
quase com desesperação; é necessário, finalmente, gemer,
e gemer com toda a alma: gemer com o entendimento, porque
em tanta escuridade não vê saída; gemer com a memória,
porque em tanta variedade não acha firmeza; e gemer
com a vontade, por constante que seja, porque no aperto
de tantas dificuldades desfalece e quase desmaia."
Livre do processo inquisitorial,
partiu, em 1669, para Roma onde a fama de orador o levou
a ser nomeado pregador da rainha Cristina da Suécia.
Ainda na Itália, conseguiu do papa Clemente X um breve
que o isentava da jurisdição da Inquisição portuguesa.
Regressando a Portugal em 1675, começou a preparar os
seus sermões para a imprensa, trabalho que prosseguiu
no Brasil, a partir de 1681. A obra de Vieira se divide
entre as profecias (" Histórias do futuro", " Esperanças
de Portugal", e " Clavis Prophetarum", obra
em latim que deixou inacabada e em que apresenta desenvolvidamente
as suas concepções milenaristas e messiânicas), as " Cartas"
(mais de quinhentas, nas quais Vieira comenta os sucessos
políticos da época, especialmente o relacionamento entre
Portugal e Holanda, a Inquisição, os Cristãos Novos,
e a situação do Brasil), e finalmente os " Sermões",
pregados durante toda sua vida tanto em Portugal como
no Brasil.
Os Sermões,
peças ímpares da prosa barroca portuguesa, aliam a grande
capacidade de análise racional, de bom senso, clarividência,
aliado a um misticismo profético. Neles encontramos
uma grande crônica da história imediata (Padre Vieira
jamais se absteve das grandes questões cotidianas e
políticas do seu século), mas nos deparamos também com
uma atormentada ânsia da eternidade, que só a religião
parece atender. A edição mais completa das suas obras
é de 1854-1858, compreende 26 volumes, contendo cerca
de 200 sermões e vários ensaios de caráter social, político
e literário.
Padre António Vieira faleceu em 18 de julho de 1697,
aos 89 anos, na Bahia.
"O homem em qualquer estado que esteja, é certo que
foi pó e há de tornar a ser pó. Foi pó e há de se tornar
pó? Logo é pó. Porque tudo o que vive nesta vida, não
é o que é, é o que foi, é o que há de ser."
Fontes:
http://www.arqnet.pt/dicionario/vieira_antoniop.html
http://www.espacoacademico.com.br/036/36ebueno.htm
Sonhado por Marcia, 00:10
Sonharam:
Quarta-feira, Setembro
08, 2004

Meu primeiro contato com essa escritora
foi através do blog da Lique,
uma amiga de Portugal. Logo que li seu poema senti vontade
de conhecer mais a sua obra e trazê-la para este espaço.
Sua poesia é de grande simplicidade e se distingue por
um tom profundamente intimista, feito de palavras para
repetir em voz baixa, segredadas em confidências cujos
destinatários se pressentem a cada instante, através
de pequenos sinais dispersos pelo tempo e pelo espaço
das memórias que um dia lhes deram plena substância,
e cujo fulgor persiste sempre, como uma cicatriz que
ainda pode doer quando lhe tocamos.
"Entre nós há uma ferida que já não sangra, mas não
sara - um amor que perdura e está perdido."
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em
1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas,
na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade
Clássica de Lisboa (1981). Foi também professora de
Português e Francês (durante cinco anos), atividade
que a influenciou decisivamente no sentido de assumir
uma escrita para um público jovem. Possui ainda o curso
de Línguas e Cultura do Instituto Italiano de Cultura
em Portugal.
Neste outono
Neste outono, as pedras agasalham-se no cobertor
do musgo; e o barro bebe a água; e o vento viaja rente
aos muros. Mas eu, sem ti, deito-me gelada sobre a cama
e digo palavras que queimam a boca por dentro ―
amor,
saudade, o teu nome e os nomes das coisas que tocaste
(e sobre as quais deixo crescer o pó, para que os dias
não se decalquem sempre de outros dias). Fecho os olhos
depois sobre a almofada e vejo o rosto branco da casa
desenhar-se à medida da tua ausência: as janelas abrem-se
para a solidão dos becos e há um farrapo de luz sobre
a porta
a que ninguém virá bater. Pergunto-me onde anda a tua
sombra quando aqui não estás. E tenho medo. São estes
os solavancos de uma ida pequena ― bordar uma
toalha
para logo a manchar de vinho, sentir a ferida na distância
do punhal, viver à espera de uma dor que há de chegar.
Como escritora, tem publicados vários
trabalhos de ficção, poesias, ensaios, crônicas e literatura
juvenil, procurando neste último gênero a transmissão
de valores humanos e culturais. O seu romance " Alguns
Homens, Duas Mulheres e Eu" constrói-se na vertigem
de uma identidade perdida. Enquanto poeta publicou " A
Casa e o Cheiro dos Livros" (1996), que institui
a casa como o lugar feminino que acumula esperas, o
cheiro dos livros, os restos do amor, os gatos que aí
se resguardam da chuva. Para Maria do Rosário, já distinguida
com alguns prêmios literários, a casa pode ser considerada
como um mundo onde se encerra tudo aquilo que vai perdurando,
mesmo que sob a forma da memória, nostalgicamente...é
uma poesia do abandono e da ternura. É, no essencial,
um livro de interiores; de interiores das casas, como
o próprio título sugere, mas também do interior de cada
um no processo amoroso. Com mais propriedade, é apenas
o " eu" que fala, e só dele temos notícias, até
porque o " outro" partiu, está de partida, há
de partir mais tarde ou mais cedo. A dor, se existe,
corresponde não à separação provisória mutuamente dolorosa,
mas à ruptura sentida como trágica apenas por uma das
partes, a mulher. Nestes poemas, estão presentes os
sinais do fim, que ao mesmo tempo são marcas de lembranças:
a cama desfeita, retratos, livros interrompidos e perfumes.
O cheiro dos livros é o cheiro do amado nos livros e
em todos os objetos que ficaram para trás como testemunhas.
São horas de voltar
São horas de voltar. Tu já não vens, e a espera
gastou a luz de mais um dia. Agora, quem passar
trará um corpo incerto dentro do nevoeiro,
mas terá outro nome e outro perfume. Eu volto
à casa onde contigo se demorou o verão e arrumo
os livros, escondo as cartas, viro os retratos
para a mesa. Sei que o tempo se magoou de nós,
sei que não voltas, e ouço dizer que as aves
partem sempre assim, subitamente. Outras virão
em março, apago as luzes do quarto, nunca as mesmas.
Guarda tu agora o que eu, subitamente,
perdi
Guarda tu agora o que eu, subitamente, perdi
talvez para sempre ― a casa e o cheiro dos livros,
a suave respiração do tempo, palavras, a verdade,
camas desfeitas algures pela manhã,
o abrigo de um corpo agitado no seu sono. Guarda-o
serenamente e sem pressa, como eu nunca soube.
E protege-o de todos os invernos ― dos caminhos
de lama e das vozes mais frias. Afaga-lhe
as feridas devagar, com as mãos e os lábios,
para que jamais sangrem. E ouve, de noite,
a sua respiração cálida e ofegante
no compasso dos sonhos, que é onde esconde
os mais escondidos medos e anseios.
Não deixes nunca que se ouça sozinho no que diz
antes de adormecer. E depois aguarda que,
na escuridão do quarto, seja ele a abraçar-te,
ainda que não te tenha revelado uma só vez o que queria.
Acorda mais cedo e demora-te a olhá-lo à luz azul
que os dias trazem à casa quando são tranquilos.
E nada lhe peças de manhã ― as manhãs pertencem-lhe;
deixa-o a regar os vasos na varanda e sai,
atravessa a rua enquanto ainda houver sol. E assim
haverá sempre sol e para sempre o terás,
como para sempre o terei perdido eu, subitamente,
por assim não ter feito.
Em " O Canto do Vento nos Ciprestes" (2001), os
poemas dão voz à mulher antes, depois ou para além do
amor, mas nunca no momento amoroso propriamente dito.
Não é de qualquer amor que se fala, mas de um amor concreto,
de um amor único que nada tem a ver com os outros amores,
meramente carnais. É nesse contexto que surge a morte,
de tal modo presente que a autora já confessou que alguns
leitores confundiram os poemas com elegias; na verdade,
se em meia-dúzia de poemas há a presença da doença e
da morte reais de um terceiro, a morte aparece quase
sempre não exatamente como uma metáfora mas como uma
exasperação do sentimento amoroso; é mesmo esse o grande
tema do livro, sendo que a certa altura se afirma. É
também uma poesia de ternura: o erotismo aqui não tem
autonomia, e se a expressão " fazer amor" é recorrente
é porque em si mesma transporta um sentido de complemento
face ao sentimento amoroso. Nesta obra, marcada pela
experiência da solidão e do abandono, o criador descobre-se
na sua fragilidade, sustentando-se numa ausência que
é permanentemente reavivada e atenuada pela rememoração
poética.
Dorme, meu amor
Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega ― o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor ―
a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres, mas nada temas; as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me ― eu já morri muitas
vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos
agora e sossega ― a porta está trancada; e os
fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei no caminho. Por isso, dorme,
meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão,
já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos ― a noite é um poema
que conheço de cor e vou contar-to até adormeceres.
Vieste como um barco carregado
de vento
Vieste como um barco carregado de vento, abrindo
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro
onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste,
se partiste,
que dentro de mim se acanham as certezas e
tu vais sempre ardendo, embora como um lume
de cera, lento e brando, que já não derrama calor.
Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes;
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha:
o frio do horizonte começou ainda agora a oscilar,
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam
no cais como se transportassem no corpo o vaivém
dos barcos. Dizem-me os seus passos
que vale a pena esperar, porque as ondas acabam
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde
para quase tudo. Por isso, vou para casa
e aguardo os sonhos, pontuais como a noite.
Em seu outro livro, " Nenhum Nome Depois" (2004),
exprime-se uma forma de afetividade desmesurada perante
a impossibilidade de fruição do amor como " sensação
de tudo". É na verdade de uma magnífica enunciação
dos afetos, do viver e do morrer, do silenciar e do
gritar, do sorrir e do chorar, do amar e do perder,
que estes poemas nos falam. Tudo porque, dizer, lembrar,
nomear, é bem melhor do que proibir, guardar, esconder,
sobretudo porque " a vida nunca foi só Inverno/nunca
foi só bruma e desamparo". O livro constitui-se
com um quarteto, dividido em " Os Nomes Inúteis",
" Os Nomes Interditos", " Os Nomes de Família"
e " Nenhum Nome Depois". Um nome ou uma voz podem
expressar-se em diferentes tempos e espaços, mas nesta
obra dir-se-iam a causa de uma (im)permanência, a da
sua significação, a de uma queda que não é contorno
ou substância, mas função de uma existência do sujeito
poético abalado pela catástrofe. Menos contido do que
as obras anteriores, este conjunto de poemas persiste
em revelar a autora como um nome relevante da sua geração.
A escrita de Maria do Rosário Pedreira aproxima-nos
de uma fragilidade emergente perante a instabilidade
do Eu. Nessa revolução súbita com a qual o sujeito poético
se confronta, vai reconstruindo o mundo. O amor, neste
livro, revela-se como desejo e mal. Até que a voragem
do vento o apague no cansaço da dor.
Fontes:
http://www.geocities.com/arlindo_correia/Maria_do_Rosario_Pedreira.html
http://insensatezz.no.sapo.pt/palavras/mr_pedreira.htm
Sonhado por Marcia, 22:24
Sonharam:
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Sonhando I ::
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Pus
meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!
E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...
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Mário Quintana
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Sonhando II ::
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Estou
te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.
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Affonso Romano de Sant'Anna
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Agradecimentos ::
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