Sábado,
Outubro 23, 2004
Aos 85 anos, ela já soma mais de cem livros publicados,
a maioria infanto-juvenil. É pioneira na produção e na
difusão da arte para crianças e uma das mais premiadas
autoras do país.
Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo, Rússia,
em 18 de março de 1919 e veio para o Brasil aos 10 anos
de idade, com sua família. Dedicou-se ao teatro infantil,
em companhia de seu marido, o psiquiatra e educador Júlio
Gouveia, escrevendo diversas peças e adaptações de livros
apresentados em teatros de São Paulo.
"Sou antiga, mas não sou velha, porque dentro de mim
continua vivinha a criança que fui e isto me permite estar
em sintonia com crianças e jovens, com quem procuro repartir
minhas curtições de ontem e de hoje. Meu prêmio maior
é saber que meus livros irão para as mãos das crianças,
e se elas sorrirem, ou se emocionarem, ou ficarem pensativas,
eu ficarei feliz".
Inho,
Não!
"Inho", "inha", "ito", "ita"
São pra ele humilhação,
O diminutivo o irrita:
O "Andrezim" prefere um "ão"!
Chama "gala" a galinha,
Não aceita correção;
"Escrivana", a escrivaninha,
E o vizinho é "vizão".
Chama "coza" a cozinha,
O toucinho é "toução",
É "campana" a campainha -
E ele próprio é o "Dezão"...
Andrezinho tem três anos
E já se acha bem grandão,
É por isso que não gosta
De diminutivo, então.
Não suporta que lhe digam:
"Dá a mãozinha" (em vez de mão),
Ou que mandem: "A boquinha
Abre e come, coração!"
Com a chegada da televisão, o grupo teatral de Tatiana
foi convidado a apresentar suas peças na então TV Tupi,
lá permanecendo por mais de 10 anos. Com quatro espetáculos
de teleteatro por semana, ao vivo, e textos sempre baseados
em livros, promoveram intensamente a literatura e a leitura.
Esteve em várias emissoras de televisão de São Paulo,
como TV Bandeirantes, Cultura, Paulista (que mais tarde
se tornou Globo).
O Grande Cão-Curso
Perante o Juiz, Senhor Dom Urso,
Reunidos para o maior Cão-curso,
Apresentaram-se - sem seus patrões -
Cachorros, cachorrinhos, cachorrões,
De muitas raças, tipos e modelos -
De pêlos lisos, crespos e outros pêlos -
Pra concorrer ao prêmio - um tesouro
Por todos cobiçado: o "Osso de Ouro".
(...)
O Juiz, preocupado,
Já bastante atrapalhado,
Olha em volta - e de repente
Vê, não longe, à sua frente
Um cachorro desleixado,
Pêlo todo arrepiado,
Cor de um tom indefinido,
De rabinho encolhido,
O desfile a observar,
Bem quietinho em seu lugar.
- Vem cá, diz o Juiz Urso, -
Participe do Cão-curso,
Apresente-se também,
Mostre o que é que você tem!
(...)
Sou um pobre vagabundo,
Sem família e só no mundo!
Mas se encontro um bom senhor
Dou-lhe todo o meu amor:
Na alegria ou no perigo,
Serei sempre o seu amigo!
É só isto. E disse o Urso,
- Quem ganhou este Cão-curso,
Foi você, meu bom, valente,
Viralata, inteligente
Mas modesto. O Troféu
"Osso de Ouro" é todo seu!
(...)
Juiz, com toda a humildade,
Peço um osso... de verdade!
Seu primeiro livro de poesia infantil, " Limeriques
das Coisas Boas", foi publicado em 1987. Os poemas
do livro, que brincam com cacófatos e exploram a riqueza
verbal da língua portuguesa, inspiram-se nos " limerick",
poemas de origem irlandesa de apenas cinco versos, cuja
característica é o non-sense e o bom-humor. Nos últimos
anos, a autora tem também publicado livros de crônicas,
baseadas principalmente em suas memórias. Tatiana também
tem seus livros traduzidos em vários idiomas . Entre seus
livros de poesia estão: " A Cesta de Dona Maricota",
Rimandinho, Di-Versos Alemães, Medoliques, Saladinha de
Queixas, Que Horta, Bricadeiras, Sabe aquelas Historinhas.
[Os "limerick" são poeminhas]
Os "limerick" são poeminhas
Que sempre só têm cinco linhas,
Contando, rimados,
Uns "causos" gozados:
Estórias bem piradinhas.
"Marmelada de banana, bananada de
goiaba, goiabada de marmelo..."
A primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo, de Monteiro
Lobato, estreou em 10 de janeiro de 1952, e a direção
coube a Tatiana Belinky e Júlio Gouveia. Foram 300 episódios,
mas infelizmente não ficou nada registrado pois o programa
era feito ao vivo.
A primeira adaptação ocorreu no Teatro Escola de São
Paulo - TESP - um teleteatro dirigido ao público infantil,
criado em 1948 por Tatiana e Júlio Gouveia. " A Pílula
Falante", um dos capítulos do livro " Reinações
de Narizinho", foi a história escolhida para ser
exibida ao vivo na Tupi. O sucesso alcançado por esta
única apresentação levou a emissora a produzir a primeira
série de televisão do " Sítio do Picapau Amarelo".
O primeiro programa estreou em 3 de junho de 1952 (às
quintas-feiras, 19h30), com a reprise do episódio " A
Pílula Falante", ficando no ar por 11 anos. Paralelamente
à exibição ao vivo em São Paulo, a TV Tupi do Rio de
Janeiro exibiu, por dois meses no ano de 1955, uma versão
da série com direção de Maurício Sherman e produção
de Lúcia Lambertini, que também interpretava a Emília
ao lado de Daniel Filho (o Visconde) e Zeni Pereira
(Tia Nastácia).
Tatiana trabalhou com tradução (o que faz até hoje),
como roteirista de televisão, jornalista e crítica de
literatura infantil. Ao longo de sua vida recebeu muitos
prêmios de teatro, literatura e televisão. No total
foram mais de 1.500 textos apresentados pela televisão.
O Achado
Amigos meus, quem sabe
O que eu achei na rua?
Não foi centavo, moeda
o que eu achei na rua.
Não foi flor nem foi ninho
Nem medalhão lustroso
Que achei no meu caminho
Sob um galho frondoso.
Do céu, um pedacinho,
Foi este o meu achado,
Na grande poça d'água
De uma árvore, ao lado.
Do céu, um pedacinho,
Ali, assim jogado -
Límpido, azul-profundo
Na poça mergulhado.
NOTA: Tradução de poema de Lea Goldberg
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Este é um livro de lembranças: histórias curtas,
crônicas, "causos" que aconteceram no decorrer do tempo,
uns recentes, outros há mais de vinte anos, mas que
aconteceram mesmo, não foram inventados. Pedacinhos
de uma vida agora misturados e costurados como uma colcha
de retalhos. A dona da vida? Uma pessoa cheia de vida,
com tantas histórias (verdadeiras) pra contar que daria
pra mais uma porção de livros como este. O fio que ela
usou para costurar os retalhos? Alegria. Ternura. Tristeza.
Sabedoria. Força. Humor. E um imenso carinho: pelo mundo,
pelas pessoas, pelo leitor..."
Texto tirado da orelha do livro. In: Belinky, Tatiana.
Bidínsula e outros retalhos. 2.ed.
Quem é Importante?
Certo dia, num caderno,
Numa página interna,
Deu-se a grande reunião
Dos sinais de pontuação,
Para decidir, no instante,
Qual o que é mais importante.
Chegou correndo, afobadão,
O Ponto de Exclamação,
Bufando, muito excitado,
Entusiasmado ou assustado.
- Socorro!
- Viva!
- Saravá!
- Dá o fora! - sempre a berrar!
E logo, todo sinuoso,
A rebolar-se, entrou, pimpão,
O enxerido e mui curioso
Dom Ponto de Interrogação:
- Quem é?
- Por quê?
- Aonde?
- Quando? - ele só vive perguntando...
E vêm as Vírgulas dengosas,
Muito falantes, muito prosas,
E anunciam: - Nós meninas
Somos as pausas pequeninas,
Que, pelas frases espalhadas,
São sempre tão solicitadas!
(...)
Til e Acento Circunflexo,
Numa discussão sem nexo,
Cara a cara, bravos, quase
Se engalfinham. Mas a Crase
Corta a briga, ao declarar:
- Poucos sabem me empregar!
Me respeitem pois bastante,
Já que eu sou tão importante!
(...)
A Cedilha e o Travessão
Já se enfrentam, mas então,
Bem na hora, firme e pronto
Se apresenta o senhor Ponto:
- Importante é o meu sinal.
Basta. Fim. PONTO FINAL.
NOTA: Tradução de poema de Samuil Marchak

"Poucos poetas usavam o humor, isso conheci mais
no Brasil. Faço muitos versinhos, tenho um livro chamado
Caldeirão de Poemas, até com algumas traduções de poemas
russos, alemães e ingleses, que fazem parte da minha
infância. Quando falo que preciso de poesia na peça
teatral e em livros, não estou me referindo propriamente
a versos, mas à poesia da vida que encontramos nas paisagens,
entre as relações humanas e em tudo."
Fontes:
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia/poesia/home/index.cfm
http://www.neorama.com.br/7_11okt_1.html
Sonhado por Marcia,
01:01
Sonharam:
Sábado, Outubro 09, 2004
Ela é considerada uma das mais interessantes
revelações da poesia portuguesa dos anos 90. Como
se isso não bastasse, a sua obra poética tem também
sido olhada como congregadora das mais significativas
tendências que esta novíssima poesia manifesta. Confesso
que não a conhecia e agradeço a Márcia
Maia por ter me propiciado essa descoberta.

Ana Luísa Amaral nasceu em
Lisboa, no dia 5 de abril de 1956. Professora, poeta
e escritora, licenciou-se em Letras, área de Estudos
Americanos, tendo posteriormente defendido tese de
doutoramento com um trabalho sobre Emily Dickinson
(1995). Tem publicações acadêmicas nas áreas de Literatura
Inglesa, Literatura Norte-Americana, Literatura Portuguesa
e Literatura Comparada.
Visitações, ou Poema que se diz
Manso
De mansinho ela entrou, a minha filha.
A madrugada entrava como ela, mas não
tão de mansinho. Os pés descalços,
de ruído menor que o do meu lápis
e um riso bem maior que o dos meus versos.
Sentou-se no meu colo, de mansinho.
O poema invadia como ela, mas não
tão mansamente, não com esta exigência
tão mansinha. Como um ladrão furtivo,
a minha filha roubou-me a inspiração,
versos quase chegados, quase meus.
E mansamente aqui adormeceu,
feliz pelo seu crime.
Ana Luísa Amaral é hoje uma das vozes mais importantes
da literatura portuguesa. Fortemente influenciada
pela poesia inglesa e partilhando alguns valores estéticos
da sua geração, é traduzida em várias línguas, do
espanhol ao francês, passando pelo alemão, o holandês,
o russo e o croata, sem faltar, é claro, o inglês,
que também nutre a sua vida profissional, professora
que é de Literatura Inglesa no Departamento do Estudos
Anglo-Americanos, da Faculdade de Letras do Porto.
Soneto
Científico a Fingir
Dar o mote ao amor. Glosar o tema
tantas vezes que assuste o pensamento.
Se for antigo, seja. Mas é belo
e como a arte: nem útil nem moral.
Que me interessa que seja por soneto
em vez de verso ou linha desvastada?
O soneto é antigo? Pois que seja:
também o mundo é e ainda existe.
Só não vejo vantagens pela rima.
Dir-me-ão que é limite: deixa ser.
Se me dobro demais por ser mulher
[esta rimou, mas foi só por acaso]
Se me dobro demais, dizia eu,
não consigo falar-me como devo,
ou seja, na mentira que é o verso,
ou seja, na mentira do que mostro.
E se é soneto coxo, não faz mal.
E se não tem tercetos, paciência:
dar o mote ao amor, glosar o tema,
e depois desviar. Isso é ciência!
Muitos são os caminhos que Ana Luísa Amaral nos convida
a percorrer ao longo da sua obra, já consolidada pelas
publicações dos seguintes livros de poesias: " Minha
Senhora de Quê", Coimbra, Fora do Texto, 1990,
reed. Lisboa, Quetzal, 1999; " Coisas de Partir"
, Fora do Texto, 1993; " Epopeias" Coimbra,
Fora do Texto, 1994; " E Muitos Os Caminhos"
, Poetas de Letras, Faculdade do Letras do Porto,
1995; " Às Vezes o Paraíso" Lisboa, Quetzal,
1998; " Imagens", Pau, Editions Vallongues,
2000; Imagens, Porto, Campo das Letras, 2000.
Coisas
de Partir
Tento empurrar-te de cima do poema
para não o estragar na emoção de ti:
olhos semi-cerrados, em precauções de tempo
a sonhá-lo de longe, todo livre sem ti.
Dele ausento os teus olhos, sorriso, boca, olhar:
tudo coisas de ti, mas coisas de partir...
E o meu alarme nasce: e se morreste aí,
no meio de chão sem texto que é ausente de ti?
E se já não respiras? Se eu não te vejo mais
por te querer empurrar, lírica de emoção?
E o meu pânico cresce: se tu não estiveres lá?
E se tu não estiveres onde o poema está?
Faço eroticamente respiração contigo:
primeiro um advérbio, depois um adjectivo,
depois um verso todo em emoção e juras.
E termino contigo em cima do poema,
presente indicativo, artigos às escuras
Na área de literatura infantil tem dois livros: " Gaspar,
o Dedo Diferente e Outras Histórias", Porto, Campo
das Letras, 1999 e " A História da Aranha Leopoldina",
Porto, Campo das Letras, 2000 - este, adaptado para
a televisão.
Minha
Senhora de Quê
dona de quê
se na paisagem onde se projectam
pequenas asas deslumbrantes folhas
nem eu me projectei
se os versos apressados
me nascem sempre urgentes:
trabalhos de permeio refeições
doendo a consciência inusitada
dona de mim nem sou
se sintaxes trocadas
o mais das vezes nem minha intenção
se sentidos diversos ocultados
nem do oculto nascem
(poética do Hades quem mdera!)
Dona de nada senhora nem
de mim: imitações de medo
os meus infernos
O
tempo das Estrelas
Um compasso de espera
tão longo e musical
por estrelas destas
a tocar-me o rosto
E aprender a aceitá-las,
e eu ser um céu imenso
onde elas se pudessem passear,
encontrar uma casa,
um pequeno silêncio
de folhas,
e poeiras, e cometas
Na desordem mais cósmica
das coisas,
organizar inteiro:
o coração
Porque, a tocar-me o rosto,
o tempo das estrelas
será sempre,
mesmo que tombem astros,
ou outras dimensões se lancem
em vazio,
ou raízes de luz se precipitem
no nada mais atónito
Terá valido tudo
a desordem do sol,
terá valido tudo
este lugar incandescente
e azul
Porque, a tocar-me o rosto,
agora,
e em silêncio tão terreno:
paraíso de fogo:
estas estrelas
Transportadas em luz
nas tuas mãos
Aniversário
Sentei-me com um copo em restos de
champanhe a olhar o nada.
Entre crianças e adultos sérios
Tive trinta em casa.
Será comovedor os quatro anos
e a festa colorida
as velas mal sopradas entre um rissol
no chão e os parabéns:
quatro anos de vida.
Serão comovedores os sumos de
laranja concentrados (proporções
por defeito) e os gostos tão
diversos, o bolo de ananás,
os pés inchados.
Será soberbamente comovente
toda a gente cantando,
o mau comportamento dos adultos
conversas-gelatinas e os anos
só pretexto.
Mas eu gostei. E contra mim gostei
mesmo no resto:
este prazer pequeno do silêncio
um sapato apertando descalçado
guardanapo e rissol por arrumar
no chão e um copo
olhando o nada
em restos de champanhe
Um Manto de Ternura
Dizer-te, meu amigo,
que, à uma da manhã
e desta noite,
está lindo o nevoeiro
que um manto de sossego
assim inteiro
eu desejava dar-te
- e ter comigo.
Enviava-te um frasco,
se pudesse,
fechado em carta azul,
ou por fax de sol
(não fora o medo que o sol
o desfizesse)
Assim, mando daqui
esta espessura
de cheiro muito branco
e muito belo:
um manto de ternura
dobado num novelo,
que chegue
até aí.
Malmequeres e Polígonos
A mesma folha.
De um lado, analisar,
do outro - eu.
Mas o lado primeiro
também eu. Outro eu.
E o que vacila
entre os dois lados
(que não é o que escreve, não querendo,
nem o que malquerendo, move mão)
- eu também. Outro eu.
Eu, terceiro e secante
com os outros dois lados
Malmequer.Mequermal.
No fim das pétalas,
é sempre a mesma folha
com dois lados
(e um outro em Purgatório:
nem inferno, nem céu)
"Não sei se me sinto afastada
da lírica "feminina"; de facto, não sei se me sinto
afastada da lírica "masculina"... Julgo que a minha
"voz" poética é diferente da de Florbela Espanca ou
da de Sophia de Mello Breyner, mas ela é também diferente
da de Maria Teresa Horta ou Luiza Neto Jorge, ou da
de Nuno Júdice ou Pedro Tamen. Os afastamentos ou
as aproximações, faço-as pelo prazer e empatias que
sinto com os outros poetas - e as outras poetas."
(Ana Luísa Amaral)
Fontes:
http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/Ana_Luisa_Amaral.htm
http://poesiaseprosas.no.sapo.pt/ana_luisa_amaral/poetas_analuisaamaral01.htm
http://www.ciberkiosk.pt/livros/imagens.html
Sonhado por Marcia,
01:17
Sonharam:
Terça-feira, Outubro
05, 2004
Clique aqui
para conhecer a caverna.
Sonhado por Marcia, 01:01
Sonharam:
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Sonhando I ::
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Pus
meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!
E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...
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Mário Quintana
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Sonhando II ::
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Estou
te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.
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Affonso Romano de Sant'Anna
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