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Quarta-feira, Novembro 24, 2004

Seus livros foram escritos aos poucos, entre tarefas esmagadoras que a impediram de "serenar, completar sua cultura e fazer uma sossegada obra de arte." O mar, presença constante em sua vida, surgiu como a paz final.




Alfonsina Storni Martignoni nasceu em Sala Capriasca, Suíça, em 29 de maio de 1892. Viveu a infância em San Juan e depois em Rosário, onde se viu obrigada a abandonar os estudos e trabalhar em uma fábrica para ajudar em casa. Com a morte do pai, depressivo e alcóolatra, Alfonsina muda-se para Coronda e começa a cursar o Magistério. Levando uma vida muito difícil trabalhou como costureira, operária, atriz e professora.


Diante do mar



Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.

Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".

Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.

Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.

Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.

Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.

Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.

Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.

E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!

Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.

Tradução de José Agostinho Baptista


A primeira desilusão amorosa veio de um romance vivido com um homem casado, do meio político e jornalístico. Sozinha e grávida, Alfonsina mudou-se para Buenos Aires. Em 21 de abril de 1912, nasceu Alejandro, seu único filho e companheiro inseparável.


O rogo

Senhor, Senhor, faz já tanto tempo, um dia
Sonhei um amor como jamais pudera
Sonhá-lo ninguém, algum, amor que fora
A vida toda, toda a poesia...
E passava o inverno e não vinha,
E passava também a primavera,
E o verão de novo persistia,
E o outono me encontrava em minha espera.
Senhor, Senhor: minhas costas estão desnudas.
Faça estalar ali, com mão rude,
O açoite que sangra aos perversos!
Que está a tarde já sobre minha vida,
E esta paixão ardente e desmedida,
A hei perdido, Senhor fazendo versos.

Tradução Maria Teresa Almeida Pina


Em 1916 Alfonsina Storni começou a freqüentar os círculos literários, quando publicou "La Inquietud del Rosal", livro que iniciou seu ciclo poético.


O engano



Sou tua, Deus o sabe porque, já que compreendo
Que haverás de abandonar-me, friamente, amanhã,
E que embaixo dos meus olhos, te encanto
Outro encanto o desejo, porém não me defendo.

Espero que isto um dia qualquer se conclua,
Pois intuo, ao instante, o que pensas ou queiras
Com voz indiferente te falo de outras mulheres
E até ensaio o elogio de alguma que foi tua.

Porém tu sabes menos do que eu, e algo orgulhoso
De que te pertence, em teu jogo enganoso
Persistes, com ar de ator do papel dono.

Eu te olho calada com meu doce sorriso,
E quando te entusiasmas, penso: não tenhas pressa
Não es tu o que me engana, quem me
engana é meu sonho.

Tradução Maria Teresa Almeida Pina


Continuou sua obra cultivando diferentes gêneros: novela, contos, teatro, poesia e crítica. Em 1918 publicou "El dulce daño", seguindo-se "Irremediablemente" (1919), "Languidez" (1920), obtendo o Prêmio Municipal de Poesia e o Segundo Prêmio Nacional do mesmo gênero, "Ocre" (1925), "Poemas de Amor " (1926), "El amo del mundo" (1927), "Dos farsas pirotécnicas" (1930), "Mundo de siete pozos" (1934) e em 1938, ano da sua morte, "Mascarilla y trébol".


Quando cheguei à vida

Vela sobre minha vida, meu grande amor imenso.
Quando cheguei à vida trazia em suspense,
na alma e na carne, a loucura inimiga,
o capricho elegante e o desejo que açoita.

Encantavam-me as viagens pelas almas humanas,
a luz, os estrangeiros, as abelhas leves,
o ócio, as palavras que iniciam o idílio,
os corpos harmoniosos, os versos de Virgílio.

Quando sobre teu peito minha alma foi tranqüilizada,
e a doce criatura, tua e minha, desejada,
eu pus entre tuas mãos toda minha fantasia

e te disse humilhada por estes pensamentos:
Vigiai-me os olhos! Quando mudam os ventos
a alma feminina se transtorna e varia...

Tradução Héctor Zanetti



Alfonsina estreou no teatro, com a peça: "El Amo del Mundo". Escreveu ainda: "Parásitos", "Peso Ancestral", "Moderna", "El Ruego", "La Inútil Primavera", "Epitafio para Mi Tumba", "Los Coros", "Tú, que Nunca Serás", "Dolor", "Soy", "Carta Lírica a Otra Mujer", etc. O fato de ter enfrentado a miséria, o preconceito e a criação do filho, sozinha, naquela época, marcou-a sensivelmente, o que se traduzia, especialmente em suas peças teatrais, como uma revolta pessoal contra o homem e o machismo.


A carícia perdida



Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos...
No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?

Tradução Carlos Seabra


Colaborou com revistas e jornais de Buenos Aires, como "Crítica" e "La Nación", onde utilizou-se do pseudônimo Tao-Lao.


Sou essa flor

Tua vida é um grande rio, vai caudalosamente,
a sua beira, invisível, eu broto docemente.
Sou essa flor perdida entre juncos e achiras
que piedoso alimentas, mas acaso nem olhas.

Quando cresces me levas e morro em teu seio,
quando secas morro pouco a pouco no lodo;
Mas de novo volto a brotar docemente
quando nos dias belos vais caudalosamente.

Sou essa flor perdida que brota nas tuas margens
humilde e silenciosa todas as primaveras.

Tradução Héctor Zanetti



Em 1935 veio o abalo da doença, quando os médicos descobriram um tumor no seio esquerdo. Alfonsina foi operada, mas a radioterapia a que se submeteu foi tão dolorosa, que ela desistiu de prosseguir e o câncer continuou. Isso a fez viver períodos depressivos, agravados pelos suicídios de amigos como Horacio Quiroga, Leopoldo Lugones e Egle Quiroga.

Sou



Sou suave e triste se idolatro, posso
abaixar o céu até minha mão quando
a alma do outro à alma minha enredo.
Pena alguma não acharás mais branda.

Nenhuma como eu as mãos beija,
nem se acomoda tanto em um sonho,
nem convém outro corpo, assim pequeno,
uma alma humana de maior ternura.

Morro sobre os olhos, se os sinto
como pássaros vivos, um momento
voar baixo meus dedos brancos.

Sei a frase que encanta e que compreende,
sei calar quando a lua ascende
enorme e vermelha sobre os barrancos.

Tradução Héctor Zanetti


Atemorizada pela morte, Alfonsina passou a viver dentro de casa. Em outubro de 1938 viajou para Mar del Prata, de onde enviou duas cartas a seu filho e um poema, "Voy a dormir", de despedida ao jornal "La Nación".


Vou dormir

Dentes de flores, cofia de sereno,
Mãos de ervas, tu ama-de-leite fina,
Deixa-me prontos os lençóis terrosos
E o edredom de musgos escardeados.

Vou dormir, ama-de-leite minha, deita-me.
Põe-me uma lâmpada à cabeceira;
Uma constelação; a que te agrade;
Todas são boas: abaixa um pouquinho.

Deixa-me sozinha: ouves romper os brotos...
Te embala um pé celeste desde acima
E um pássaro te traça uns compassos.

Para que esqueças... obrigado. Ah, um encargo:
Se ele chama novamente por telefone
Diz-lhe que não insista, que saí...

Tradução Héctor Zanetti



Em 25 de outubro de 1938 o corpo de Alfonsina Storni foi encontrado na praia de La Perla. Ela havia se suicidado, atirando-se ao mar, um dos grandes motivos da sua poesia. Um monumento foi construido no local em sua homenagem.

Inútil sou



Por seguir das coisas o compasso,
às vezes, quis neste século ativo,
pensar, lutar, viver com o que vivo,
ser no mundo algum parafuso a mais.

Mas, atada ao sonho sedutor,
do meu instinto voltei ao escuro poço,
pois, como algum inseto preguiçoso
e voraz, eu nasci para o amor.

Inútil sou, pesada, torpe, lenta,
meu corpo, ao sol estendido, se alimenta
e só vivo bem no verão,

quando a selva cheira e a enroscada
serpente dorme em terra calcinada;
a fruta se abaixa até minha mão.

Tradução Héctor Zanetti


"Ela caminhou na areia, com passos lentos, olhos frios e a boca muda deixando-se levar pelo mar, a fria esmeralda, transformando em poesia sua própria morte."

Fontes:
http://utopia.com.br/poesialatina/
http://www.anamirandaliteratura.hpgvip.ig.com.br/carosamtex3.htm
http://www.getty-images.com/source/home/home.aspx

Sonhado por Marcia, 23:48
Sonharam:




Terça-feira, Novembro 09, 2004


Sua obra foi curta como sua vida, mesmo assim, ele deixou marcas fortes na cultura da velha capital de Pernambuco. Poeta de expressão simples, atingiu no Recife aquele tipo de consagração que faz os versos correrem de boca em boca, decorados, ou de mão em mão, copiados de velhas edições empoeiradas. Em seus versos, azul é a cor da memória, da pureza e da consumação do tempo, mas é também uma forte presença do cotidiano litorâneo do Recife, no céu e no mar.



Carlos Souto Pena Filho nasceu em Recife, no dia 17 de maio de 1929 e aos quatro anos de idade foi morar na casa de familiares em Portugal. Em 1941, retornou a Recife, onde freqüentou o curso secundário no Colégio Nóbrega e em seguida passou a estudar Direito.


Guia Prático da Cidade do Recife

No ponto onde o mar se extingue
E as areias se levantam
Cavaram seus alicerces
Na surda sombra da terra
E levantaram seus muros.
Depois armaram seus flancos:
Trinta bandeiras azuis
Plantadas no litoral.
Hoje, serena, flutua,
Metade roubada ao mar,
Metade à imaginação,
Pois é do sonho dos homens
Que uma cidade se inventa.


Seu primeiro trabalho como poeta, o soneto "Marinha", foi publicado em 1947 pelo Diário de Pernambuco. Bastante elogiado pela crítica, esse trabalho motivou o poeta a lançar outros nos suplementos nordestinos e nos jornais do sul do país.


Marinha

Tu nasceste no mundo do sargaço
da gestação de búzios, nas areias.
Correm águas do mar em tuas veias,
dormem peixes de prata em teu regaço.

Descobri tua origem, teu espaço,
pelas canções marinhas que semeias.
Por isso as tuas mãos são tão alheias,
Por isso teu olhar é triste e baço.

Mas teu segredo é meu, ó, não me digas
onde é tua pousada, onde é teu porto,
e onde moram sereias tão amigas.

Quem te ouvir, ficará sem teu conforto
pois não entenderá essas cantigas
que trouxeste do fundo do mar morto.


Em 1952 Carlos Pena Filho publicou seu primeiro livro "O Tempo da Busca". Em 1955 publicou "Memórias do boi Serapião", com uma temática social e ilustrado por Aloísio Magalhães. Mas o melhor da poesia do autor aconteceria com "A Vertigem Lúcida", de 1958, premiado pela Secretaria de Educação e Cultura, confirmando seu talento para o soneto. Em 1959, a Livraria São José, do Rio de Janeiro, publicou o seu "Livro Geral" , sua obra reunida, onde pintou em versos seu amor ao Recife e à esposa. Em 1983 foi publicada a antologia "Os melhores poemas de Carlos Pena Filho", organizada por Edilberto Coutinho.


A Solidão e Sua Porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
e quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha).

Quando pelo desuso da navalha,
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

a arquitetar na sombra a despedida
deste mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.


Como compositor atuou em parceria com o músico pernambucano Capiba, com quem compôs "A Mesma Rosa Amarela", que se incorporou ao movimento da Bossa Nova, tornando-se uma das principais canções da década de 1960. Foi gravada primeiramente pelo cantor Claudionor Germano, ainda em 1960, tornando-se sucesso através da cantora Maysa que a gravou em 1962. Outras letras de sua autoria musicadas por Capiba foram "Ai de mim", "Claro amor", "Pobre Canção", "Manhã da tecelã", "Não quero amizade com você", e "Sino, claro sino".





Na imprensa do Recife, atuou como repórter político mas, segundo seus contemporâneos, não tinha a menor vocação para o jornalismo, sua paixão era mesmo a literatura. No jornal assinou duas colunas: Literatura e Rosa dos Ventos.


Para Fazer um Soneto

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
e espere um instante ocasional
neste curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial

Ai, adote uma atitude avara
se você preferir a cor local
não use mais que o sol da sua cara
e um pedaço de fundo de quintal

Se não procure o cinza e esta vagueza
das lembranças da infância, e não se apresse
antes, deixe levá-lo a correnteza

Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza
ponha tudo de lado e então comece.


Em 26 de junho de 1960, o Jornal do Commercio, do Recife, publicou o seu último trabalho: "Soneto Oco". No dia seguinte sofreu um grave acidente de automóvel, nas proximidades do Forte das Cinco Pontas, Recife, ficando três dias em estado de coma. Morreu no hospital, dia 01 de julho de 1960. No ano seguinte (1961), a União Brasileira de Escritores instituiu o Prêmio Carlos Pena Filho de Poesias.


Soneto Oco

Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.

De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.

Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.

Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.


Carlos Pena Filho morreu prematuramente sem ver o sucesso de "A mesma rosa amarela". Depois de sua morte, alguns dos seus poemas foram musicados por Capiba e outros compositores. O cantor e compositor Alceu Valença musicou seus poemas "Solibar" e "Sino de ouro". Em 1993 teve diversos poemas musicados pelo músico Antônio José Madureira e gravados no CD "Opereta do Recife", entre os quais, "Bairro do Recife", "Dádivas do amante", "Desmantelo azul" e "Manoel, João e Joaquim", homenagem aos poetas Manoel Bandeira, João Cabral de Melo Neto e Joaquim Cardozo.


Desmantelo Azul

Então pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir de nós o azul ausente
e aprisionar o azul nas coisas gratas
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos no azul nos contemplamos
e vimos que entre nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.


Durante a pesquisa encontrei este lindo poema de Márcia Maia, uma homenagem ao grande poeta pernambucano, com o qual encerro este post.


Todo o Azul
A Carlos Pena Filho




De tanto azul é feita
esta cidade
céu azul
mar azul
e um rio
a ousar azuis proibidos
em manguezais profanados.

Homens de negros cabelos
azuis
e mulheres de peitos despudoradamente
azuis
tecem nos bares da cidade
a trama dos sonhos
reinventada a cada
madrugada
igualmente azul
enquanto mendigos e cães
se confundem
no azul melancólico das
calçadas.

Ah, Carlos
Recife continua azul
embora velho, doente
distante e saudoso do teu tempo
mas sempre
irremediavelmente
azul!



Fontes:
http://www.fisica.ufpb.br/~romero/port/grandesautores.htm
http://www.geocities.com/rogelsamuel/cpenafilho.html
http://www.secrel.com.br/jpoesia/cpena.html


Sonhado por Marcia, 15:22
Sonharam:


:: Sonhando I ::
Pus meus sapatos na janela alta,
Sobre o rebordo... Céu é que lhes falta
Pra suportarem a existência rude!

E eles sonham, imóveis, deslumbrados,
Que são dois velhos barcos, encalhados
Sobre a margem tranqüila de um açude...
Mário Quintana

:: :: :: ::

:: Sonhando II ::
Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.

Affonso Romano de Sant'Anna

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