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Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Ele foi uma das figuras mais polêmicas da arte contemporânea. O seu rosto moreno, com os olhos espantados e os longos bigodes levantados nas pontas, tornou-se uma espécie de ícone da irreverente arte de vanguarda do século XX. Realidade e irrealidade misturam-se na mente e na alma desse gênio ao mesmo tempo insuportável e cativante. O simples não se coaduna com a sua forma de ser. Tudo nele é complexo, profundo, tumultuado, para o bem ou para o mal. Religioso e profano a um só tempo, traz no olhar uma porta para um mundo inteiramente diferente e insondável.


Salvador Felipe Jacinto Dalí y Domenech nasceu em 11 de maio de 1904, na cidade de Figueras, Catalunha, na Espanha e herdou o nome de um irmão morto aos três anos, vítima de meningite. Aos seis anos surpreendeu toda a família com a decisão de, em adulto, querer ser cozinheira e referia-se mesmo no feminino. Aos sete anos queria ser Napoleão I de França. A imagem do Imperador estava presente no salão do segundo andar da casa paterna, sob a forma de um pequeno barril de madeira, contendo chá que habitualmente era bebido pelas seis horas da tarde.

Sua genialidade apresentou-se desde cedo, quando impressionou a todos na Escola de Belas Artes de Madrid para onde o seu pai o havia mandado. Tinha então 12 anos e logo seria expulso por provocar distúrbios e perturbações na universidade, além de contestar violentamente a capacidade dos professores. Ao longo da vida foi excluído de muitos lugares por conta desse comportamento e de seu pedantismo insuportável.

Tornou-se grande amigo do poeta Frederico Garcia Lorca e do cineasta Luis Buñuel. Depois de estudar em Madrid e de participar, na Catalunha, dos debates artísticos renovadores dos anos vinte, Dali rumou a Paris onde se integrou ao grupo de pintores e escritores surrealistas. Desse período datam algumas das obras que o converteram num dos máximos representantes do surrealismo.

Em 1922 obteve o reconhecimento da Associação Catalã de Arte. Sua primeira exposição aconteceu em 1925, na Galeria Dalmau, Barcelona.

A personagem definitiva da vida de Dali, foi a russa Helena Ivanovna Diakonova, mais conhecida por Gala e que foi sua companheira durante mais de 50 anos. Ela também amava a fama e já estava relacionada com o mundo artístico. Foi mulher do poeta surrealista Paul Éluard e teve relações com os pintores Giorgo de Chirico e Max Ernst, tambem surrealistas. Dali conheceu-a em 1929, ano em que oficialmente ingressou no grupo. A partir daí, e segundo ele, graças à inspiração que lhe proporcionava Gala, concebeu algumas das suas obras mais famosas como, "A Persistência da Memória", "O Grande Masturbador", "O Enigma de Hitler", "Premonição da Guerra Civil", "O Enigma sem Fim" e "O Cristo de Port Lligat". Gala foi sua amante, esposa e também a sua musa inspiradora.



Dedicou-se a várias atividades profissionais, mas destacou-se, sem dúvida, como pintor. Entregou-se a um realismo minucioso, quase fotográfico, orientando a sua obra para uma permanente recordação de paisagens da sua infância, no sentido do gosto pelos ambientes sobre-humanos, onde o épico, o místico e o erótico se confundem. Dali explorou todas as tendências da época, cubismo, impressionismo, futurismo, dadaísmo e outras correntes mais, como se quizesse experimentar de tudo rapidamente.

Suas melhores obras estão no período de 1929-39, usando um método crítico-paranóico, que ele mesmo imaginou. Esse método envolvia várias formas de associações irracionais, de maneira que uma mesma imagem pudesse ser vista em ângulos diferentes com duas resoluções.

Conferiu à sua obra sempre uma aparência acadêmica com impecável precisão fotográfica. No final da década de 1930, Dalí estava começando a ser reconhecido nos Estados Unidos, onde as atitudes face às novidades artísticas eram menos conservadoras do que na Europa.

Sua exposição de 1933 lhe deu fama internacional e Dalí lançou-se, então, a uma vida social repleta de provocações e excentricidades. Essa atitude, por alguns considerada mistificadora e venal, aliada a uma postura apolítica, provocou sua expulsão do grupo surrealista.

O início da Segunda Guerra Mundial e a vitória dos alemães sobre a França, em 1940, levaram Dalí a fugir para os EUA, onde ficou oito anos e teve inúmeras oportunidades para usar seu talento. No final dessa década regressou à Espanha e deu início a uma fase inspirada em obras-primas de pintores do passado, como "A última ceia", de Leonardo da Vinci, "As meninas", de Velázquez, "Angelus", de Millet, "A batalha de Tetuan", de Meissonier, e "A rendeira", de Vermeer de Delft -- seu pintor favorito. Recebeu em 1964 a Cruz de Isabel a Católica e unm ano depois, realizou uma grande exposição em Tókio. Em 1973 foi inaugurado o Museu Dali.

Escreveu principalmente sobre ele mesmo e conseguiu produzir uma leitura deliciosa, provocativa e cheia de surpresas. Fez conferências em grandes centros culturais, teatros, museus e universidades. Mostrou o quanto pôde a sua exuberância intelectual e sua imensurável capacidade criativa. Controvertido, agressivo, inábil, superou tudo isso pela genialidade e marcou presença em todos os grandes museus do mundo.

Dali fazia o que desejava fazer com pinceis e tintas e o acervo de suas obras constitui um tesouro intelectual e artístico, independentemente de sua presunção. Fica-se pensando que ser modesto e simples, no caso dele, era realmente uma tarefa quase impossível.


Suas telas são freqüentemente fervilhantes de personagens eróticos e sensuais onde mostra a nudez de Gala e apresenta personagens carregados de atividades afrodisíacas. Dali falava que tinha "ejaculações mentais", referindo-se a maneira como as idéias lhe chegavam repentinamente e incontrolavelmente. As paisagens de sua Catalunha de origem aparecem como fundo em muitas telas e a insinuação ou explicitação do sexo é talvez a maior marca desse pintor. O absurdo ganha alma e concretiza-se nas tintas desse poeta do surrealismo. Suas imagens paradoxais eram facilmente percebidas, ele gostava de imagens duplas ou invisíveis, as quais poderiam mudar apenas através de diferentes pontos de vista.


Dali colaborou com Buñuel em filmes importantes como "Um cão andaluz" e "A Idade de Ouro" e participou de desenhos animados com Wat Disney. Também projetou cenários para Hitchcok, entre muitas outras atividades no mundo do cinema. Escreveu principalmente sobre ele mesmo e conseguiu produzir uma leitura deliciosa, provocativa e cheia de surpresas. Fez conferências intelectualizadas em grandes centros culturais, teatros, museus e universidades. Mostrou o quanto pôde a sua exuberância intelectual e sua imensurável capacidade criativa. Controvertido, agressivo, inábil, superou tudo isso pela genialidade e marcou presença em todos os grandes museus do mundo, mesmo ainda em vida.


Para muitos dos seus seguidores, o melhor é Dali como escritor e não como pintor. Livros como "Vida Secreta" e o "Diário de um Gênio" são exemplos do seu talento, da sua grande capacidade para dizer verdades politicamente incorretas e a sua irreverência, que fascinava, mais além do que se estivera de acordo ou não com ela.

É possível ficar um tempo enorme descobrindo cada vez mais coisas, cada vez mais detalhes de um conteúdo inesgotável. Gavetas que saem do corpo, figuras contidas dentro de figuras, formando uma seqüência inesgotável, como as histórias das 1001 noites que jamais terminam. Dali fazia o que desejava fazer com pinceis e tintas e o acervo de suas obras constitui um tesouro intelectual e artístico, independentemente de sua presunção. Fica-se pensando que ser modesto e simples, no caso dele, era realmente uma tarefa quase impossível.

Os últimos anos de Salvador Dalí foram obscurecidos pela morte de Gala, o grande e único amor de sua vida, que morreu em 1982. Dali foi agraciado com um título de nobreza espanhol, tornando-se o marquês de Púbol, refugiando-se e vivendo recluso a partir de então no Castelo de Púbol, que ele presenteara a Gala. Em maio de 83 pintou a sua última tela, "A Cauda da Andorinha". Anos depois sofreu graves queimaduras por causa de um incêndio, ocorrido em seu quarto. A partir de então passou a residir na Torre Galateia, no próprio Castelo de Púbol. Faleceu em 20 de janeiro de 1989, aos 84 anos de idade e até hoje cria espanto e admiração nas pessoas com suas pinturas e com seu excêntrico gênio. Seu corpo embalsamado está enterrado em uma tumba sob a cúpula do Museu.





Fontes:






Sonhado por Marcia, 23:05
Sonharam:




Domingo, Agosto 14, 2005

Ser Pai


Hoje é dia de meu aniversário. E de todas as minhas modestas dimensões humanas, a que mais me realiza é a de ser pai.

Ser pai é, acima de tudo, não esperar recompensas. Mas ficar feliz caso e quando cheguem. É saber fazer o necessário por cima e por dentro da incompreensão. É aprender a tolerância com os demais e exercitar a dura intolerância (mas compreensão) com os próprios erros.

Ser pai é aprender, errando, a hora de falar e de calar. É contentar-se em ser reserva, coadjuvante, deixado para depois. Mas jamais falar no momento preciso. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar.

Ser pai é aprender a ser contestado mesmo quando no auge da lucidez. É esperar. É saber que experiência só adianta para quem a tem, e só se tem vivendo. Portanto, é agüentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos.

Ser pai é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar. É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Ser pai é ser bom sem ser fraco. É jamais transferir aos filhos a quota de sua imperfeição,o seu lado fraco,desvalido e órfão.

Ser pai é aprender a ser ultrapassado, mesmo lutando para se renovar. É compreender sem demonstrar, e esperar o tempo de colher, ainda que não seja em vida. Ser pai é aprender a sufocar a necessidade de afago e compreensão. Mas ir às lágrimas quando chegam.

Ser pai é saber ir-se apagando à medida em que mais nítido se faz na personalidade do filho, sempre como influência, jamais como imposição. É saber ser herói na infância, exemplo na juventude e amizade na idade adulta do filho. É saber brincar e zangar-se. É formar sem modelar, ajudar sem cobrar, ensinar sem o demonstrar, sofrer sem contagiar, amar sem receber.


Ser pai é saber receber raiva, incompreensão, antagonismo, atraso mental, inveja, projeção de sentimentos negativos, ódios passageiros, revolta, desilusão e a tudo responder com capacidade de prosseguir sem ofender; de insistir sem mediação, certeza, porto, balanço, arrimo, ponte, mão que abre a gaiola, amor que não prende, fundamento, enigma, pacificação.

Ser pai é atingir o máximo de angústia no máximo de silêncio. O máximo de convivência no máximo de solidão. É, enfim, colher a vitória exatamente quando percebe que o filho a quem ajudou a crescer já, dele, não necessita para viver. É quem se anula na obra que realizou e sorri, sereno, por tudo haver feito para deixar de ser importante.

Artur da Távola


Um beijo grande para o meu pai e para todos os pais que por aqui passarem nesse dia tão especial.

Feliz Dia dos Pais!


Sonhado por Marcia, 11:41
Sonharam:




Quarta-feira, Agosto 10, 2005

Sua poesia é lírica, suave, simples e leve. Descreve com uma linguagem despojada e direta, o cotidiano, a vida no interior, o erotismo e o amor a Deus. Personagem principal em sua obra, Deus está em tudo, não apenas Ele, mas a fé católica, a reza e a lida cristã.


Adélia Luzia Prado Freitas nasceu no dia 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje. Filha de pai ferroviário e mãe dona-de-casa, a mais velha de oito irmãos, fez os primeiros estudos com padres franciscanos.


Em 1950, com o falecimento de sua mãe, Adélia escreveu seus primeiros versos. Em 1958 casou-se com José Assunção de Freitas e depois de criar cinco filhos voltou a estudar e formou-se em filosofia. Durante 24 anos foi professora nos vários níveis de ensino.

Com Licença Poética

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou tão feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
- dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Apesar de começar a sua escrita aos 14 anos, somente aos 40 anos, casada, mãe, professora e recém-formada em Filosofia, foi que Adélia Prado estreou como escritora. Em 1973, um ano após a morte de seu pai, ela enviou cartas e originais de seus poemas ao poeta e crítico literário Affonso Romano de Sant'Anna que os submeteu à apreciação de Carlos Drummond de Andrade.

Mulher no éter



Há dentro de mim uma paisagem
entre meio-dia e duas horas da tarde.
Aves pernaltas, os bicos mergulhados na água,
entram e não neste lugar de memória,
uma lagoa rasa com caniço na margem.
Habito nele, quando os desejos do corpo,
a metafísica, exclamam:
como és bonito!
Quero escrever-te até encontrar
onde segregas tanto sentimento.
Pensas em mim, teu meio-riso secreto
atravessa mar e montanha,
me sobressalta em arrepios,
o amor sobre o natural.
O corpo é leve como a alma,
os minerais voam como borboletas.
Tudo deste lugar
entre meio-dia e duas horas da tarde.

Após a leitura do material recebido, Drummond avaliou os versos de Adélia como "fenomenais" e enviou os originais daquele que viria a ser seu livro de estréia, para Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago, sugerindo a publicação do mesmo.

Meu coração bate desamparado

Meu coração bate desamparado
onde minhas pernas se juntam.
É tão bom existir!
Seivas, vergônteas, virgens,
tépidos músculos
que sob as roupas rebelam-se.
No topo do altar ornado
com flores de papel e cetim
aspiro, vertigem de altura e gozo,
a poeira nas rosas, o afrodisíaco
incensado ar de velas.
A santa sobre os abismos-
à voz do padre abrasada
eu nada objeto,
lírica e poderosa.


Carlos Drummond publicou uma crônica no Jornal do Brasil chamando a atenção para o trabalho ainda inédito de Adélia Prado.

O livro "Bagagem" foi lançado no Rio, em 1976, com a presença de Antônio Houaiss, Raquel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck, Affonso Romano de Sant'Anna, Nélida Piñon e Alphonsus de Guimaraens Filho, entre outros.

A Serenata



Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

Depois de "Bagagem", Adélia publicou "O Coração Disparado", que lhe rendeu o Prêmio Jabuti de Literatura, conferido pela Câmara Brasileira do Livro de São Paulo. Não parou mais de escrever e nos dois anos seguintes, dedicou-se à prosa.

Amor Feinho

Eu quero amor feinho.
Amor feinho não olha um pro outro.
Uma vez encontrado é igual fé,
não teologa mais.
Duro de forte amor feinho é magro, doido por sexo
e filhos tem os quantos haja.
Tudo que não fala, faz.
Planta beijo de três cores ao redor da casa
e saudade roxa e branca,
da comum e da dobrada.
Amor feinho é bom porque não fica velho.
Cuida do essencial;
o que brilha nos olhos é o que é:
eu sou homem você é mulher,
Amor feinho não tem ilusão,
o que ele tem é esperança:
eu quero amor feinho.

Com o sucesso de sua carreira de escritora viu-se obrigada a abandonar o magistério após 24 anos de trabalho. Nesse período ensinou no Instituto Nossa Senhora do Sagrado Coração, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, Fundação Geraldo Corrêa - Hospital São João de Deus, Escola Estadual são Vicente e Escola Estadual Matias Cyprien, lecionando Educação Religiosa, Moral e Cívica, Filosofia da Educação, Relações Humanas e Introdução à Filosofia.

Sensorial



Obturação, é da amarela que eu ponho.
Pimenta e cravo,
mastigo à boca nua e me regalo.
Amor, tem que falar meu bem,
me dar caixa de música de presente,
conhecer vários tons pra uma palavra só.
Espírito, se for de Deus, eu adoro,
se for de homem, eu testo
com meus seis instrumentos.
Fico gostando ou perdôo.
Procuro o sol, porque sou bicho de corpo.
Sombra terei depois, a mais fria.

Em 1980, dirigiu o grupo teatral amador Cara e Coragem na montagem de "O Auto da Compadecida", de Ariano Suassuna. Depois, ainda sob sua direção, o grupo encenou "A Invasão", de Dias Gomes.

Poema Começado no Fim

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.

Entre os livros de prosas e poesias publicados estão: "Solte os Cachorros", "Cacos para um Vitral", "Os Componentes da Banda", "O Homem da Mão Seca", "Manuscritos de Felipa", "Prosa Reunida", "Filandras", "Bagagem", "O Coração Disparado", "Terra de Santa Cruz", "O Pelicano", "A Faca no Peito", "Poesia Reunida" e "Oráculos de Maio".

Casamento



Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

Em 1987, Fernanda Montenegro estreou, no Teatro Delfim, Rio de Janeiro, o espetáculo "Dona Doida": um interlúdio, baseado em textos de livros de Adélia Prado. A montagem, sob a direção de Naum Alves de Souza, fez grande sucesso, tendo sido apresentada em diversos estados brasileiros e, também, nos EUA, Itália e Portugal.


Fontes:
Jornal de Poesia
A Voz da Poesia
Stock Photos

Sonhado por Marcia, 00:39
Sonharam:




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:: Os Poemas ::
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti....
Mario Quintana

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Da madrugada quero a calma de um beijo
O gozo de um desejo

Uma flor de jasmim
Desabrochando em lampejos
- Exalando em teu seio
Meu consumo em ti.
Amanda e J. Ventura

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