Sexta-feira, Setembro 05, 2008
Ela fez parte do movimento de precursoras da escrita feminina, na época de um Ceará patriarcal onde a educação das mulheres se limitava a aprender piano, bordado, algumas frases em francês, cozinhar, novelas periódicas e oratórios domésticos.
Francisca Clotilde, nasceu no Sertão dos Inhamuns, Tauá, Ceará, em 19 de outubro de 1862. Filha de João Correia Lima e Ana Maria Castelo Branco, ela foi professora e se destacou também como romancista, poeta, contista, teatróloga, e jornalista. Aluna do Colégio Imaculada Conceição, ja se fazia notar pelo seu espírito lúcido e suas inclinações poéticas. Uma das pioneiras da literatura feminina cearense, aos 14 anos, teve seu primeiro poema publicado na Imprensa (Horas de Delírio, O Cearense, 1877).
Prece
Oh! Bendita Virgem, Mãe piedosa,
Nívea dos céus, Maria Imaculada
Dentre as flores do céu mística rosa
Entre as mulheres, Santa proclamada!
Tua pureza Angélica e ilibada
Não teve manchas... Linda, fulgurosa
É corno de uma estrela, a luz radiosa
Que esgarça a treva aos beijos d’alvorada.
Conforta o nosso pranto, escuta a prece
Do triste, do exilado que padece,
Nesta vida cruel, desoladora;
Oh! Tu, Onipotente junto a Deus,
Desprende sobre nós do azul dos céus
Tua benção de Mãe consoladora.
Em 1884, por concurso público foi nomeada com o título de professora para a Escola Normal de Fortaleza. Paralelo ao trabalho de educadora, colaborou na imprensa em verso e prosa, com diversos jornais do Ceará e também de outros estados brasileiros.
Assumindo sua postura política republicana e abolicionista, Francisca Clotilde pertenceu ao Clube Literário, a partir de 1886, quando começou a colaborar com artigos, contos e versos, ao lado de Antônio Sales, José Olimpio, Juvenal Galeno, Justiniano de Serpa e outros intelectuais cearenses
Ao ser demitida da Escola Normal, fundou e manteve, em Fortaleza, o Externato Santa Clotilde, que contrariando os costumes da época, era destinado a ambos os sexos. Com sua filha Antonieta e a prima Carmen Taumaturgo, fundou em Fortaleza, a revista literária "A Estrella" (1906 - 1921), que marcou a história da imprensa feminina cearense, na medida em que foi sustentada por mulheres que nutriam grande apreço à escrita e que desejavam construir novos espaços de produção e divulgação literária. Escrita em papel almaço, a primeira edição da revista apresentava um formato quase alternativo e clandestino.
Ao coração
Porque suspiras, coração dolorido?
Ermo de afetos, cheio de amargura!
Fugiu de ti a plácida ventura!
Eis-te sozinho, a suspirar descrido!
Não mais no mundo pérfido, iludido.
Serás de afetos vãos da criatura,
Brilha em teu céu uma esperança pura,
É Deus que atenta o ser desiludido!
Busca o conforto místico, que vem
Trazer-te a luz, que dimanou do bem,
E que fulgiu nos braços de uma cruz;
Despreza os bens efêmeros da terra,
Busca o tesouro que somente encerra
O amor perfeito que sonhou Jesus.
Aos 22 anos, tornou-se a primeira professora do sexo feminino a lecionar na Escola Normal de Fortaleza. Francisca Clotilde participou ativamente do Movimento Abolicionista, inclusive tomando parte da Sociedade das Senhoras Libertadoras, ao lado de Maria Tomázia Figueira Lima, Elvira Pinho, Joana Antonia Bezerra, Serafina Pontes e outras senhoras. Nessa época, escreveu o poema: A Liberdade, o Soneto: Livre.
Com intensa participação na Imprensa, Francisca Clotilde tomou parte, como membro, no Clube Literário; nas Sessões da Agremiação teve seus contos lidos e, posteriormente publicados no "A Quinzena". Seus contos abordavam aspectos de vida real e/ou imaginários, através dos quais a autora denunciava as desigualdades sociais da época e convidava o leitor a prática do bem e do belo.
A GARÇA
Ei-la triste a mirar as águas irrequietas,
Parecendo evocar em visões luminosas
O passado de amor, as estâncias diletas,
Outro céu bem distante, outras margens formosas!
Exilada talvez das paragens ditosas,
Onde outrora gozou de alegria discretas,
Quer as asas de neve, essas asas plumosas
Espalmar pelo azul e voar como as setas.
Mas coitada! Não pode atingir as alturas,
Pois alguém a privou de fruir as venturas
Do inocente viver, da feliz liberdade.
Como a garça, tristonha, eu me sinto finar,
E não posso fugir... e não posso voar
Tenho aqui de carpir a tristeza, a saudade.
Francisca Clotilde participou ativamente dos movimentos abolicionistas e republicanos, escrevendo em diversos jornais sobre as questões políticas que aconteciam naquela época. Foi colaboradora assídua da revista “A Estrella”, fundada em 1906 pela sua filha Antonietta Clotilde, e em 1902 lançou o romance “A Divorciada”, abordando uma temática extremamente polêmica para a época.Tido como audacioso, levantou polêmica entre conservadores e progressistas, pois tratava-se do tema do divórcio e a liberação feminina. Há de se imaginar o preço que a romancista pagou pela ousadia.
Em 1908 Francisca Clotilde transferiu-se com toda família, o externato para a cidade de Aracati, de onde a revista "A Estrella" passou a ser editada.
A participação política era um dos motivos para as mulheres entrarem na imprensa. Mesmo de forma conservadora ou progressista, as mulheres encontravam espaço para publicação". Aos poucos, Clotilde praticava sua escrita, criando sonetos, publicidades e peças de teatro.
Em 53 anos dedicados às letras e ao ensino, Francisca Clotilde colaborou em grande número de periódicos, entre eles o jornal "A Quinzena", a folha operária "O Combate" e o abolicionista "O Libertador".
A PALMEIRA
Sobre o vasto areal, na extensão do deserto,
Erguia senhoril à luz, ao sol, ao vento.
A palmeira sorri-se ao viajor sedento
_Oásis verdejantes _ a se mostrar bem perto.
Em miragem tão bela... O seu leque entreaberto
Parece-lhe indicar, no rumo poeirento,
Das águas o frescor, a sombra, o aprazamento,
O descanso sonhado... o conforto mais certo.
Palmeira abençoada! Ao coração que oprime
A fadiga cruel, no itinerário rude,
Esperança e consolo o teu perfil exprime.
Quantas vezes também o prazer nos ilude
Mas que a vista do céu a noss’alma reanime
Seguiremos o bem, o dever, a virtude.
Faleceu em 08 de dezembro de 1935. Sobre o seu túmulo “caíram as lágrimas de todos que lhe conheciam a grandeza do gênio e a beleza do coração”, afirma Stella Barbosa.
Mediante o exposto, é, portanto, impossível fazer-se uma análise completa de suas preciosidades literárias. Seria o mesmo que tentar contra todas as estrelas ou apanhar todas as pérolas do mar. Uma heroína forte e ao mesmo tempo suave e misteriosa, uma figura iluminada.
(Francisca Clotilde há de fulgurar sempre como Estrela de primeira grandeza no céu das Letras).
ANDORINHA
Passando do inverno a pérfida inclemência...
Andorinha ligeira, vai buscando
Outro clima mais puro, ameno e brando,
Outro céu de mais doce transparência.
Gozas da luz a tépida influência,
Reunindo-te ao alegre bando,
Que recorta este azul de quando em quando,
Desejando mais plácida existência
Podes fugir, voar com as asas leves
Expandir-te ao calor do sol
De bendito verão, delícias breves.
Como eu te invejo: Enquanto vais seguindo,
Sofro a tortura do mais rude inverno
E o azul me esconde o seu sorrir, fruindo
SETE DE SETEMBRO
(Ao Ilustre Dr. Boanerges Facó)
Esplende o sol... O Ypiranga desliza
E nele se reflete o azul sereno,
Lindo..., A desdobrar-se ameno,
De luz e beleza se matiza.
Independência ou Morte! Concretiza.
O brado augusto, vivo como um treno,
O gesto nobre, o decantado aceno,
Do Monarca que ali se sublima...
E o grito vibra além... Há manifestas
Expressões as mais justas,
Um delírio de usos e festas.
E a grande terra, erguida na História,
Aureolada de estrelas refulgentes,
Sente envolvê-la a sagração da glória.
À ANA NOGUEIRA
Não te corre nas veias delicadas
O sangue azul da fátua realeza,
Nem te cerca o prestigio de grandeza
Que enaltece as cabeças coroadas;
Desconheces as regras variadas
De etiqueta, requinte da nobreza,
Nem preferes à doce singeleza
Em que vives as côrtes decantadas.
A teus pés não se curva a multidão
Para beijar tua pequenina mão,
Quando passas incógnita e sozinha;
Mas, sendo, como és formosa, e boa,
Tens uma bela e fúlgida coroa,
E vales muito mais que uma rainha.
http://www.allaboutarts.com.br/dv/showpage.asp?code=0804L5&version=portugues&name=Francisca_Clotilde - allaboutarts
Jornal o Povo
http://www.sonetos.com.br/biografia.php?a=74 (ver sonetos)
http://solardasclotildes.art.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=22 (falta ler)
http://www.fazendogenero7.ufsc.br/artigos/L/Luciana_Andrade_de_Almeida_42.pdf
Guilherme de Almeida
Sonhado por Marcia,
21:04
Sonharam:
Quarta-feira, Setembro 03, 2008
Ela foi uma das personalidades mais destacadas da literatura portuguesa das últimas décadas. Sua obra foi marcada por uma atitude de rebeldia diante de quaisquer poderes instituídos, fazendo-se eco de um grito de revolta que prezou sobretudo a liberdade dos poetas. Versátil, dedicou-se a vários gêneros, além de marcar a sua presença na política e na imprensa.
O Livro dos Amantes
I
Glorifiquei-te no eterno.
Eterno dentro de mim
fora de mim perecível.
Para que desses um sentido
a uma sede indefinível.
Para que desses um nome
à exactidão do instante
do fruto que cai na terra
sempre perpendicular
à humidade onde fica.
E o que acontece durante
na rapidez da descida
é a explicação da vida.
Natália de Oliveira Correia nasceu na Fajã de Baixo, ilha de São Miguel, Açores, em 13 de setembro de 1923. Estudou no liceu Antero de Quental até 1934, quando mudou-se para o liceu Filipa de Lencastre, em Lisboa.
AUTO-RETRATO ALEXANDRINO
Eu nunca fui na vida, eu nunca fui menina:
Impura sim. Eu sou a imaculada impura.
Não vesti tafetás nem chitas de candura
Nem quis vencer jamais esta invencível sina.
Foi sã minha poesia, e foi também perjura
Como uma flor-de-lis entre ascos de latrina.
Cantei ainda cedo a loa vespertina.
Se há Deus, vou-Lhe a caminho, e sinto-me segura.
Por ódio ou por amor, chamem-me louca ou bela.
Sinto a inveja e o ciúme em modos de homenagem:
Se tenho de aceitá-la, eu não me nego a ela.
Fui rainha de mim, de versos e de prosas,
E só a mim também honrei em vassalagem.
Cada espinho que fere é um sinal de rosas.
Alguns críticos classificaram sua escrita como surrealista, outros como barroca e outros, ainda, como romântica (entre todas, a classificação preferida pela própria). Natália foi, na verdade, uma escritora cuja originalidade e versatilidade não podem ser compartimentadas em qualquer escola literária. Sua obra abrange poesia, romance, teatro, ensaio, memórias, relatos de viagem, organização de antologias e colaboração em vários jornais e revistas.
Mãos feridas na porta dum silêncio
Vida que às costas me levas
porque não dás um corpo às tuas trevas?
Porque não dás um som àquela voz
que quer rasgar o teu silêncio em nós?
Porque não dás à pálpebra que pede
aquele olhar que em ti se perde?
Porque não dás vestidos à nudez
que só tu vês?
Durante a ditatura foi condenada a três anos de prisão, com pena suspensa, pela publicação de uma "Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica" (1966) e processada pela responsabilidade editorial das "Novas Cartas Portuguesas" de Maria Isabel Barreno, Maria Velho da Costa e Maria Teresa Horta nos Estúdios Cor, de que foi diretora literária.
O sol nas noites e o luar nos dias
De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro
e quanto mais me escondo mais me avisto.
E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.
Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.
Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.
Em 1992, Natália Correia liderou a criação da Frente Nacional para a Defesa da Cultura e interveio politicamente ao nível da cultura e do patrimônio, na defesa dos direitos humanos e dos direitos da mulher. Apelou sempre à literatura como forma de intervenção na sociedade, tendo tido um papel ativo na oposição ao Estado Novo. Teve grande notoriedade no cenário político português, sendo eleita deputada pelo Partido Social Democrata, passando depois a independente.
O Livro dos Amantes
II
Harmonioso vulto que em mim se dilui.
Tu és o poema
e és a origem donde ele flui.
Intuito de ter. Intuito de amor
não compreendido.
Fica assim amor. Fica assim intuito.
Prometido.
Embora tenha começado pela literatura infantil, "A Grande Aventura de um Pequeno Herói", 1945, e pelo romance "Anoiteceu no Bairro", 1946, foi na poesia que encontrou a expressão mais depurada de seu temperamento a um só tempo lírico e irônico. Entre as suas obras poéticas encontram-se "Rio de Nuvens", "Poemas", "Dimensão Encontrada", "Passaporte", "Comunicação", "Cântico do País Emerso", "O Vinho e a Lira", "Mátria", "As Maçãs de Orestes", "A Mosca Iluminada", "O Anjo do Ocidente à Entrada de Ferro", "Poemas a Rebate", onde chama, na introdução, ao conjunto de seus "poemas indóceis" de "pentagrama de indignação", "Epístola aos Iamitas", "O Dilúvio e a Pomba" e "O Armistício".
Auto-retrato
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exilio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Indignação constante é o que não falta a obra de Natália Correia, seja motivada pela censura que a amordaçou por longo tempo, seja por uma insurreição natural a todos os engodos ideológicos da organização social. A capacidade de abranger, contudo, várias expressões líricas, bem como sentimentos e visões aparentemente opostos, entre a subjetividade romântica e a objetividade realista, levaram-na a compor "Os Sonetos Românticos" (1991, Grande Prêmio de Poesia APE/CTT) e o romance "As Núpcias" (1992). No primeiro, parece voltar à primeira fase de sua expressão em virtude da abstração do objeto lírico, não obstante, agora, mais intelectualizada, beirando certo misticismo da criação poética, da escrita, da expressão verbal. Por isso, define o soneto como "misterioso nó que em sacra escrita / cimos e abismos une". Abismos, que enfim, de onde sempre procurou garimpar a sua "aurífera" poesia.
O Livro dos Amantes
IX
Pusemos tanto azul nessa distância
ancorada em incerta claridade
e ficamos nas paredes do vento
a escorrer para tudo o que ele invade.
Pusemos tantas flores nas horas breves
que secam folhas nas árvores dos dedos.
E ficámos cingidos nas estátuas
a morder-nos na carne dum segredo.
A sua obra de ficção engloba Aventuras de "Um Pequeno Herói", "Anoiteceu no Bairro", "A Madona", "A Ilha de Circe", "Onde Está o Menino Jesus" e "As Núpcias". Como dramaturga escreveu "O Progresso de Édipo", "O Homúnculo", "O Encoberto", "Erros Meus", "Má Fortuna", "Amor Ardente" e "A Pécora".
O Encontro
Como se um raio mordesse
meu corpo pêro rosado
e o namorado viesse
ou em vez do namorado
um novilho atravessasse
meus flancos de seda branca
e o trajecto me deixasse
uma açucena na anca
como se eu apenas fosse
o efeito de um feitiço
um astro me desse um couce
e eu não sofresse com isso
como se eu já existisse
antes do sol e da lua
e se a morte me despisse
eu não me sentisse nua
como se deus cá em baixo
fosse um cigano moreno
como se deus fosse macho
e as minhas coxas de feno
como se alguém dos espaços
me desse o nome de flor
ou me deixasse nos braços
este cordeiro de amor
Natália Correia escreveu ainda várias obras ensaísticas, das quais se destacam "Descobri que Era Europeia - Impressões de Uma Viagem à América", "Poesia de Arte e Realismo Poético", "A Questão Académica de 1907", "Uma Estátua para Herodes", "Não Percas a Rosa - Diário e algo mais: 25 de Abril de 1974 - 20 de Dezembro de 1975" e "Somos Todos Hispanos".
Crucificação
Vertical sou contra Deus
Horizontal a favor.
Nesta cruz me crucifico
Vertical com desespero
Horizontal com amor.
Organizou também algumas antologias de poesia portuguesa, entre as quais "Antologia da Poesia Erótica e Satírica", "Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses", "Trovas de D. Dinis", "O Surrealismo na Poesia Portuguesa", "A Mulher", "A Ilha de São Nunca" e "Antologia da Poesia do Período Barroco".
Sete Luas
Há noites que são feitas dos meus braços
e um silencio comum às violetas
e há sete luas que são sete traços
de sete noites que nunca foram feitas
Há noites que levamos à cintura
como um cinto de grandes borboletas
E um risco a sangue na nossa carne escura
de uma espada à bainha de um cometa
Há noites que nos deixam para trás
enrolados no nosso desencanto
e cisnes brancos que só são iguais
à mais longinqua onda de seu canto
Há noites que nos levam para onde
o fantasma de nós fica mais perto:
e é sempre a nossa voz que nos responde
e só o nosso nome estava certo.
Natália Correia morreu em Lisboa, a 16 de Março de 1993, ano em que foi publicada, em dois volumes, pelo Círculo dos Leitores, a sua obra poética completa: "O Sol nas Noites e o Luar nos Dias", a reunião da sua poesia completa, que inclui todos os livros publicados e muitos poemas inéditos.
Retrato Talvez Saudoso
da Menina Insular
Tinha o tamanho da praia
o corpo era de areia.
E ele próprio era o início
do mar que o continuava.
Destino de água salgada
principiado na veia.
E quando as mãos se estenderam
a todo o seu comprimento
e quando os olhos desceram
a toda a sua fundura
teve o sinal que anuncia
o sonho da criatura.
Largou o sonho nos barcos
que dos seus dedos partiam
que dos seus dedos paisagens
países antecediam.
E quando o seu corpo se ergueu
Voltado para o desengano
só ficou tranqüilidade
na linha daquele além.
Guardada na claridade
do olhar
PS: Auto-Retrato Alexandrino foi creditado indevidamente a Natália Correia. O poema é de autoria Daniel de Sá, conforme comentário deixado em meu blog no dia 21/05/06. Peço desculpas ao autor pela minha falha.
Fontes:
http://omni.isr.ist.utl.pt/~cfb/VdS/natalia.correia.html
http://www.lumiarte.com/luardeoutono/nataliacorreia.html
http://www.getty-images.com/source/home/home.aspx
Sonhado por Marcia,
21:35
Sonharam:
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